quarta-feira, julho 20, 2005

O debate
Aparentemente, e por agora, o Daniel encerrou o velho debate das saídas profissionais de RI com um post muito claro e muito certeiro, porque essencialmente dirigiu-se às questões mais em concreto. Não tenho praticamente nada a acrescentar-lhe, senão uma história pessoal muito simples: No inverno e na primavera de 1996, eu e os colegas de turma e de geração estavam a completar o 9º ano, e todos andávamos apreensivos com as escolhas para o ano seguinte - o 10º, o fim da escolaridade obrigatória. Dado o meu currículo e os meus gostos, estava muito inclinado para seguir o Agrupamento 4 (Humanidades), como via de acesso ao Ensino Superior, e de facto escolhi-o, mas fui bem avisado na altura: não era nada fácil arranjar emprego nesta área. No entanto, havia que correr riscos e tomar decisões.
Quando pensei na licenciatura a escolher, no 12º ano, a escolha essencial já estava feita; sabia perfeitamente da dificuldade de saídas profissionais dos cursos superiores relacionados com as Humanidades. RI pareceu-me tão bom, ou melhor, do que qualquer outro (mais uma vez, dados os meus gostos pessoais.)
(Antes desta, há outra ainda mais antiga: no 7º ano, tive um excelente professor de História - só perde para o Vitorino - que nos contou uma estória de um colega de curso que trabalhava como motorista de autocarro. Não fosse por isto, talvez eu tivesse ido tirar História na FLUC. Acho que tinha média para entrar.)
No ponto em que estou, e pesando tudo, não estou arrependido das decisões que tomei. Talvez tudo fosse diferente se as minhas notas de Matemática não tivessem baixado drasticamente no 7º ano. De qualquer forma, há muitos anos que estou preparado para a decisão aparentemente pesada mas simples de redireccionar a carreira profissional de acordo com as exigências do mercado de trabalho. O que não quer dizer que não respeite as opções de quem está a trabalhar na TMN sem pensar no futuro (eu próprio deveria ter feito o mesmo enquanto a oportunidade de redireccionar a carreira não aparece), e neste ponto discordo do Daniel porque há sempre motivações muito pessoais por trás dessas opções. De resto, há que ter um bocado de fé e não desmoralizar. Eu, pelo menos, já estive em situações bem piores que esta.

Jazz na Naza
No passado domingo houve uma cena de Jazz na Nazaré, naturalmente liderada pelos anfitriões da Big Band e do sr. Adelino Mota... (não era eu que devia falar disto...)

Citações de citações
"Passo a citar o director-geral da TVI: «O nível da informação e da programação da televisão é superior ao nível do País. Temos uma televisão que está uns furos acima como actividade, como dinâmica, como indústria, como espírito crítico.» (…) Na mesma entrevista, o director-geral da TVI justifica um programa como Fiel ou Infiel em nome da "eficácia", acrescentando que o "costuma ver" e que se "diverte." Eu pertenço ao grupo de espectadores que sentem que o simples amor pela dignidade humana não se sai bem de tal programa. E não aceito (…) banalizar uma forma de amor (…) em nome da eficácia financeira da TVI. (…)
(…) Porque é nisso que a televisão se transformou: um meio de ocupação da vida social que, à sua volta, vai desenhando o mapa de um deserto simbólico. Nesta perspectiva, qualquer programador televisivo possui, hoje em dia, mais poder (…) que qualquer ministro da Cultura ou da Educação. Não o digo por provocação, muito menos por ironia." (…)
João Lopes, DN (17 Julho 2005)
Podia-se pensar que o facto de eu fazer uma citação significaria que a subscrevo, e é verdade; mas tenho que fazer dois reparos.
1 – Apesar de partilhar da opinião de Lopes sobre o Fiel ou Infiel, a verdade é que compreendo muito bem o sr. Moniz: também "costumo ver" esse programa, e também me "diverte", e muito, ver como os actores e o apresentador se levam a sério.
2 – Espero que o sr. Lopes não tenha subitamente descoberto, ou tenha sonhado de noite, que a televisão só agora se transformou num "meio de ocupação da vida social." Que eu saiba, a RTP está próxima do meio século de existência…

Sem comentários: