Londres
O mais impressionante é a serenidade demonstrada.
A não ser que os media nos tenham ocultado as imagens de horrível pânico, desorientação, caos, tragédia, horror, desorientação… a não ser que se tenha dado um caso desses, o povo britânico demonstra uma preparação e uma calma exemplares. Não é só as autoridades e as instituições: são as pessoas comuns, o povo anónimo – a maior parte estava calma e avisada e a maior parte manteve-se serena. O povo britânico, lá no fundo, não é bem aquilo que mostra nos estádios europeus, ou em Albufeira. Dir-se-ia que os arruaceiros e os anarquistas são exportados para os estádios e para as estâncias de férias do Terceiro Mundo. (De resto, pelas atracções nocturnas, pelo urbanismo idiota, enfim, pelo tipo de turismo que praticam, chamam precisamente esse tipo de turistas que querem é cerveja, gajas, gajos e uma ou outra cena de porrada.)
Há 60 e poucos anos, Londres viu choverem-lhe bombas durante 3 meses, todas as noites. É uma provação mais dura.
Merda de porco
Na sua coluna do Público de ontem, o abrupto José Pacheco Pereira, num artigo de página inteira, saúda a população dos Milagres por, apesar de tudo, não se resignar à violação repetida das leis e do Estado de Direito, com a clara cumplicidade de câmaras, polícias e governos civis, e continue, apesar de tudo, a protestar contra os senhores porqueiros que se situam bem acima da lei.
É inútil repetir tudo o que já foi dito. A única esperança é, talvez, que se cumpra aquele princípio da política que indica que, quando há um vazio de poder, alguém o preencha – e que comecem a rebentar bombas nos chalés dos senhores porqueiros que insistem em fazer de Portugal um esterco terceiro-mundista.
Gato Fedorento na TVI?
Na sequência da quebra de confiança entre o Gato Fedorento e a SIC, (que achou que sketches que venderam 60 mil cópias legais e muitas mais pirateadas podiam ainda fazer concorrência ao Fernando Mendes) circulam rumores que a TVI poderia abrir um "espaço de humor alternativo, diferente do tradicional."
Espero que o Gato continue, seja onde for. No entanto, não consigo imaginá-lo na TVI.
A exibição do Gato Fedorento na TVI é, em si mesma, um contra-senso.
É como imaginar o Roger a jogar numa equipa treinada pelo Trapattoni.
É imaginar o PCP a pedir mais protecção para a propriedade privada.
É imaginar o Vasco Pulido Valente a fazer um elogio.
O Drácula a comer um bacalhau com batatas e muito alho, com um crucifixo na parede.
O Barrichello a ultrapassar o Schumacher antes da decisão do campeonato.
O Ivan com uma mini sobre a mesa, em vez do yop.
O Kumba Yalá a reconhecer uma derrota eleitoral e a felicitar o vencedor.
O Ariel Sharon a ordenar o desmantelamento de colonatos judeus.
Enfim, é algo que pura e simplesmente não faz sentido, porque são o oposto um do outro. Será possível alinhar a revista à portuguesa com o estenógrafo que escreve uma peça de revista a meio da sessão do tribunal, porque é estenógrafo há 12 anos e é uma profissão muito chata? Conjugar os Batanetes com o criado armado em esperto, "queria a conta? Quer dizer que já não quer? Eh-eh-eh!" Enfim… se Sharon desmantela colonatos, há que acreditar em tudo…
Eleições
Há, pelo menos, cinco candidatos a autarquias que são arguidos em processos judiciais. São eles:
- Valentim Loureiro (ou o processo já foi encerrado?)
- Isaltino Morais
- Avelino Ferreira Torres (embora o próprio desminta, admitindo apenas a autoria de um assalto ao Banco de Portugal em 1972, conforme referiu em directo num telejornal)
- Fátima Felgueiras (é candidata, ou não?)
- Isabel Damasceno.
Já foram realizadas sondagens para todos estes candidatos – com excepção de Felgueiras – e todos eles levam uma enorme vantagem sobre os adversários. Dificilmente serão derrotados.
Isto leva-me a pensar que Portugal tem a democracia que merece. A respeitabilidade e a honra não são exigências do eleitorado português em relação aos seus candidatos. Se estivéssemos numa democracia exigente e bem formada, estes candidatos seriam rejeitados pela simples razão de estarem sob suspeita. Na América, só cidadãos exemplares é que são chamados para fazer parte dos júris dos tribunais. Estão a imaginar o senhor Ferreira Torres como jurado num tribunal? Porque o haveríamos de imaginar como presidente de Câmara? Estamos numa democracia terceiro-mundista, que aprecia políticos que "roubam, mas fazem." Portanto, só temos o que merecemos.
Uma destas figuras é candidata à minha autarquia. Sei perfeitamente que vai ganhar com maioria absoluta, mas não acho que isso seja motivo para, no dia das eleições, deixar de ir votar – noutro qualquer. Esqueçamos a cópia das Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha, o buraco de milhões de euros, a merda de porco legalizada. Simplesmente, o candidato não tem credibilidade.
(Um outro partido inundou Leiria e o concelho de cartazes com laranjas e frases idiotas tais como "a laranja está cansada", "laranjas podres", "pensou que todas as laranjas tinham sumo? Enganou-se!" e afins. Não me inspira confiança…)
1 comentário:
Quem diria que afinal o Sharon ia desmantelar colonatos? Se adivinhasses...
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