terça-feira, julho 19, 2005

As competências de RI

Este post, vem na sequência da troca de "insultos aprimorados" entre os ilustres membros insulares da SARIP. Ao que parece, a rivalidade entre "terceirenses" e "micaelenses" ultrapassa até, a rivalidade existente entre os habitantes dos arquipélagos e os do continente. Chegámos a duas posições diferentes e antagónicas, de um lado temos um estudante de "não sei o quê" europeu, do outro um "pseudo" estudante de Relações Internacionais. Basicamente, ambos devem ter as mesmas cadeiras, ou no minimo as mesmas temáticas de estudo nos seus curriculos académicos, mas com a "pequena-grande" diferença de um deles ter uma experiência política absolutamente fora de comum, para alguém da sua idade. Chegamos a um ponto de debate, em que um lado defende que os estudantes, das "ditas" ciências políticas, estão preparados para assumir cargos em organismos politicos de indole internacional, nomeadamente a preparar processos, fazer análises etc... Do outro lado, temos uma perspectiva mais "ambiciosa", considerando que todos estamos prontos para ocupar posições de destaque nas decisões e deixar para os gestores e economistas a tarefa de fazer os processos e as análises.
No entanto, julgo que cada uma destas posições exprimem em concreto o contexto da pessoa que as tomou.
Por um lado temos o Fernando, que estuda estudos europeus, está motivado, é motivado pelos responsaveis do curso dele (ao contrario do Pureza que nunca motivou ninguem, mas que por outro lado também não criou ilusões em ninguem), tem gosto pela área que estuda, está a apostar forte num futuro ligado à Europa, e acima de tudo julga-se capaz de fazer algo na área, para além de dar seis respostas num exame de três perguntas.
No vértice oposto, temos o carissimo Berto Messias, super motivado por ter tido um cargo de extrema importância durante dois anos, com "queda" para a politica e para o "show-off", com uma experiência invejavel a nível politico e todos os niveis que isso afecta (argumentativo, contactos, escrita, etc, etc ,etc), alguém que eu não tenho dúvida que, no minimo será Presidente da AAC um dia, ou então DUX até aos 30 anos.
Ambos têm uma caracteristica em conjunto, que tanto eu como o Ismael, como o Danish, como a Zaida, e como muitos mais não temos... que é não são recém-licenciados, são estudantes e isso condiciona muito a visão que têm das competências dos licenciados de RI. Eu poderei afirmar, que das pessoas que acabaram o curso de RI, estão zero pessoas a trabalhar na área das relações internacionais. O resto, está na área comercial, marketing, gestão. O Berto e o Fernando, não sabem o que é mandar 50 curriculos num mês e não receber resposta nenhuma e foram muitos os curriculos que enviei para OI´s, ONG´s e todas essas instituições que, em principio nós teriamos "hipoteses". Em dois meses, tive cinco resposta: uma empresa de moldes para a área comercial, uma superficie de retalho para chefe de secção, dois bancos para a área comercial e as Forças Armadas para Oficial. E julgo, que não posso considerar que tenha tido poucas oportunidades, pois ainda hoje tenho amigos meus recem-licenciados sem emprego. E este problema não foi só meu, pois tambem as "marronas" do curso não arranjaram emprego, andam a tirar pós-graduações que ninguem sabe para que servem ou como se chamam.
Se analisarmos bem a atitude das entidades empregadoras, de "torçerem" o nariz aos licenciados de RI de Coimbra (sim, porque os licenciados em Braga, a maior parte deles arranja emprego rapidamente) é completamente compreensivel. Em quatro anos, tivemos no minimo um ano de cadeiras desnecessárias, a maior parte das coisas que estudamos já foram leccionadas por alto no secundário (com excepção do Berto, que por incrivel que pareça vem do agrupamento cientifico-natural), recordo-me de cadeiras como Geografia, quatro historias (contemporanea, a diplomatica e as contemporaneas) , duas ou três economias, metodologia, ciencias sociais, estatistica e muitas mais cadeiras que não tiveram grande utilidade... Diria que o melhor que tivemos foi Perspectivas, Asilo e Cooperação, e claro as opções do quarto ano (conforme as escolhas de cada um, claro que quem escolheu sociologia do "cócó" não pode dizer o mesmo). Nesta perspectiva, é dificil falar de competências de pessoas que são licenciados com dois anos de estudos sérios e úteis para o curriculo, pois os primeiros dois não ensinam nada. Esta situação, aliada a factores externos (crise, desemprego, falta de aposta em recem-licenciados, juventude do curso, falta de propaganda do curso por parte dos seus responsaveis, que preferem andar a perder tempo com o que o autor "ZéZé Americano" disse no texto X na página 69 do que a procurar soluções práticas e uteis para os seus alunos terem sucesso profisisonal um dia...) faz com que ser licenciado em RI não seja nada fácil em termos profissionais. É claro, que também há muitos recém-licenciados de RI que preferem ir para a "TMN" trabalhar 5 horas por dia e depois não fazer nenhum o resto do dia, do que procurarem um emprego "verdadeiro"... mas esses não entram para esta discussão.
Onde eu quero chegar com esta argumentação, é a uma posição muito simples, a situação e as competências dos licenciados em Relações Internacionais de Coimbra, não são nem como o Fernando nem como o Berto "pintam"... Ambos têm uma posição, que está ligada ao seu contexto em concreto... Será que o Berto pensaria assim, se não tivesse a experiência politica que tem e a rede de contactos que detém?! Claro que não!!! Agora pergunto eu meu caro amigo saripiano Messias, o que pesou mais na tua formação até agora, os dois anos de curso em que não fazias nenhum a não ser estar no SAPE a jogar CM, ou os dois anos de AAC? A resposta é simples não é? Não julgues que a apetência politica que tens vem de RI, vem de ti e das noites que passas-te na AAC, que para além de veres o canal Panda fartavas-te de investigar e estudar politica. Quantos exames nós passamos a estudar apenas na véspera "camarada"? Achas que se aprende alguma coisa assim?! E mesmo que se aprendesse de que servia a opinião de autores para a vida prática?!

Sem comentários: