Notícias da Fórmula 1 – Justiça
Este não foi o melhor fim de semana de Kimi Raikkonen. Qualificou-se atrás de Montoya, andou atrás do colega a maior parte da corrida, assim como dos Renault, e apesar de ter assinado a volta mais rápida não seria fácil conseguir melhorar o 4º lugar que ocupou a maior parte da corrida. Mas as corridas parecem ser governadas por uma entidade transcendente, e o GP do Canadá pertenceu ao finlandês, que o mereceu não só como reparação do que aconteceu há 15 dias, mas também pelo mérito de ter conseguido aplicar a sua estratégia de corrida sem impedimentos. Quero eu dizer que o momento decisivo da corrida, abandonos à parte, foi quando Raikkonen deixou Michael Schumacher para trás na largada – um handicap que o alemão não conseguiu superar, mesmo com a ajuda do safety car.
Há 15 dias referi que Montoya e Webber teriam dado interesse à corrida europeia. Ora, foi esse o cenário que vimos em Montreal: com ambos os Renault e os McLaren em pista, os motivos de interesse cruzavam-se. Não só as tácticas de ambas as equipas (ao ataque inicial da Renault responderam os McLaren com voltas mais rápidas ao aproximar da primeira paragem, num autêntico concerto) mas também as eventuais disputas entre colegas – especialmente porque os “segundos pilotos” Fisichella e Montoya se encontravam à frente dos colegas, numa hierarquia que não se alterou com a primeira de duas paragens para os 4 carros, apesar de Montoya quase ultrapassar Alonso à saída das boxes, indo à relva com o esforço.
Apesar da beleza da luta, este cenário traz um fantasma: irão a Renault e a McLaren favorecer os pilotos melhor posicionados para vencer o campeonato, como faz a Ferrari? O tema das ordens de equipa foi colocado de forma muito clara nesta corrida, e pela primeira vez em 2005, pelo que o assunto será desenvolvido dentro de alguns dias.
A Renault evaporou-se a meio da corrida: Fisichella com mais uma falha mecânica, e Alonso a escorregar de traseira contra um muro – nenhum piloto está imune a erros… parecia que íamos ter uma dobradinha McLaren (Button e Schumacher estavam a 30s), e já se discutia se haveria ordens de equipa, quando Button se estampa contra a célebre última chicane (todos os anos ali fica alguém) e o safety car entra em pista. A McLaren chama Raikkonen para o segundo reabastecimento, prejudicando o colombiano, que perderia muitas posições… quanto à bandeira preta, é uma questão de regras. Não faz sentido (e os srs da RTP nem pensaram nisso, comparando Coulthard aos condutores portugueses) que um carro saia da box e entre para o meio do pelotão atrás do safety car. Não pode haver ultrapassagens no pelotão. Aquela manobra pura e simplesmente era estranha… porque havia Coulthard de o deixar passar?… Era óbvio que o semáforo deveria estar vermelho, e Montoya não o respeitou. Tão simples como isso.
As últimas voltas deram a impressão que Schumacher simplesmente não podia andar mais e que Raikkonen estava a controlar calmamente o andamento.
Notas:
- Agora sim, o Tiago Monteiro é o piloto estreante com mais corridas concluídas no início de carreira, tendo terminado as suas 8 primeiras corridas, à frente de Pascal Fabre (7) e Jackie Stewart (6). E ainda pensei que, se o Villeneuve tentasse ultrapassar o Klien e lhe batesse e abandonassem os dois, podia chegar aos pontos…foi a terceira vez este ano que o indiano foi à relva sob pressão do Monteiro.
- A Ferrari não teve andamento para a Renault ou a McLaren. O 2º lugar de Schumacher na qualificação foi desperdiçado com a má largada, e depois “nunca mais os viu…” Apesar de tudo, era bem possível que Schumacher alcançasse Button (a pressão do hepta terá contribuído para o despiste.) Barrichello continua a fazer uma boa temporada, alcançando mais um pódio, depois de largar das boxes.
- A BAR conquistou uma pole mas o Button viu duas flechas azuis e amarelas a passarem uma por cada lado, na largada…
- Williams e Toyota estiveram muito longe do ritmo das equipas de ponta.
PCP
É mais que certo que Álvaro Cunhal não aguentou o desgosto de ver morrer o camarada Vasco Gonçalves. Paz às suas almas.
José Fontinhas
As recordações que tenho de José Fontinhas é de me ter calhado no exame de Português do 12º e de não estar à espera... um grande poeta. Condolências.
Arrasto
Resta-me elogiar as virtudes das praias da província, onde é possível ir dar um passeio ao mar e às rochas sem que apareça logo um ladrãozeco qualquer a mexer nas nossas coisas. Uma coisa é certa: os primeiros prejudicados com a criação de um clima de insegurança ligado à xenofobia são os alvos dessa xenofobia. Eu, com a minha pele branquinha, não estou nada preocupado que a xenofobia me caia em cima…
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