sexta-feira, junho 17, 2005

Lamento uma tão grande quatindade de texto, mas vai ter que ser. As praias onde tenho ido n têm internet pública. (Duas delas têm posto de turismo. Ao menos nos postos de turismo podia haver net pública... enfim, o posto de S. Pedro de Moel ainda nem sequer abriu...)

Funerais e Políticos
No próximo dia 31 de Dezembro, imagino que será dado algum destaque aos dois gigantescos funerais que marcam 2005 em Portugal: Álvaro Cunhal e a irmã Lúcia – o que é de certa forma curioso…
A actualidade da semana tem sido naturalmente marcada por Cunhal, e a RTP lá desvendou um documentário histórico sobre essa personagem já histórica que, com toda a certeza, já estava preparado há séculos e só à espera da última formalidade para ser exibido. A reflexão tem sido intensa e ocorre-me um pensamento triste.
Os únicos políticos portugueses do século XX (nas esferas mais altas e de maior impacto) que abraçaram a vida política sem exigirem qualquer espécie de contrapartidas materiais e sociais, que deram o que tinham e nada extorquiram em troca, os únicos que apenas e só serviram os seus ideais, foram Oliveira Salazar e Álvaro Cunhal. Cada um à sua maneira, empenharam-se a fundo por aquilo que entendiam ser um Portugal melhor. Ambos homens austeros e rígidos, nenhum deles enriqueceu à custa da política. (Há um estudo sério que diz que Salazar coleccionava amantes, mas essa é outra questão.) Ambos homens de ferro, dedicadíssimos à causa, eficientes e implacáveis. Estou certo que, se estivéssemos na Europa de Leste, Cunhal seria o líder natural de uma ditadura comunista alinhadíssima com Moscovo e de Salazar contaríamos o papel heróico como organizador da resistência nacional católica e conservadora, a fuga do forte de Penichevsky, o exílio, etc.
Estarão a pura e sincera dedicação à política e a simplicidade pessoal ligadas a ideologias políticas radicais e intolerantes?
Se a resposta for sim, ficarei triste – pois, dados os meus ideais, ver-me-ei forçado a preferir políticos que roubem para si próprios (seja através de regalias legais, seja através de manobras obscuras permitidas pelos canais do poder) e que nos assegurem um regime aberto… como Mário Soares, por exemplo…

Por Leiria…
Na sequência do desaparecimento de uma carteira, o director de um colégio fechou os alunos à chave até que o ladrão se acusasse, o que levou 6 horas.
Este acontecimento fez-me recuar uns anos e motivou-me algumas reflexões.
É óbvio que não podemos pactuar com situações de roubo, especialmente em idades em que a consciência e a educação estão em desenvolvimento. O director entendeu que era um bom modo de ensinar os alunos a não roubar. E, já agora, a não pactuar com criminosos – um pouco como acontece no comboio de Sintra, em que os passageiros não se levantam para auxiliar quem esteja a ser assaltado.
Vamos supor que desaparecia uma carteira na sala de professores e que o director fechava os professores à chave até o ladrão se acusar. Qual seria a reacção?
…pois, alguém chamaria a polícia e o director seria detido pela GNR, certo?…
Há nas escolas da escolaridade obrigatória (em que andam todos, os que querem e os que NÃO querem) um fenómeno que até consigo compreender, mas com o qual nunca vou concordar, que é os professores tratarem as turmas como empresas. O 7º A, por hipótese, é um grupo coeso de alunos que trabalham todos para o mesmo e que sentem orgulho no grupo que são, e quando se portam mal é toda a turma que deve ser considerada. A minha turma chegou a levar faltas colectivas (falta injustificada a todos) e a directora de turma considerava-nos um caso perdido.
Gostava que os leitores partilhassem as suas experiências. Era mesmo assim que funcionava? … É que nem nas empresas ou nas fábricas as pessoas têm todas o mesmo objectivo, quanto mais numa turma do ensino obrigatório! Era absolutamente ridículo. Que é que eu tinha a ver com os resultados dos outros? Se os outros não aprendessem ou tivessem notas más, que tinha eu a ver com isso? Que podia eu fazer? Dizer-lhes, “olhem lá, não façam isso, estudem?” Eu? Primeiro, se não há ambiente para isso não sou eu sozinho que o vou mudar; segundo, não vou fazer papel de moralista, não só porque vão fazer pouco de mim, mas também porque não está certo, somos todos iguais e cada um que pense pela sua cabeça; terceiro, que chumbem todos ou que vão todos trabalhar para a construção civil, que me interessa a mim? Isso traz-me algum prejuízo?
Apesar de tudo, houve uma professora que acusou os dois melhores alunos do 6º C, um de estar a regredir e outro de estagnar. Os alunos eram eu e a Diana e ainda hoje tenho pó a essa senhora professora. As últimas notícias que tive da Diana foi que estava a estudar em Lisboa.
Estou convicto que, no colégio leiriense, vários alunos foram violentados nos seus direitos por causa de um qualquer chico-esperto com o qual não têm nada a ver. E a única safa (isto se o ladrão estivesse mesmo na sala) era o horrível papel de delatores… é verdade que seriam delatores por uma justa causa, mas na sociedade dos rapazes não há justas causas, só há os mais fortes e espertos e desenrascados…

A Comissão da Ribeira dos Milagres despejou baldes de merda de porco nas escadas da Câmara Municipal de Leiria, em protesto óbvio contra a inacção autárquica face à poluição da dita ribeira.
Tive pena de não presenciar pessoalmente a operação, para me rir um pouco. Trata-se da antiga lei de Talião, olho por olho, dente por dente… Só que rebaixa a Comissão, que tem toda a razão e mais alguma, ao nível da Câmara…

Obituário
Ergamos o nosso copo de Licor Beirão à memória de José Carranca Redondo, o fundador do licor Beirão tal como o conhecemos, agora falecido.

Clima de medo?
Tendo eu votado anteriormente no Bloco de Esquerda, há que tomar posição sobre o arrastão de Carcavelos, assunto levado à Assembleia da República pelo CDS-PP.
Não é o CDS-PP que cria o clima de medo e insegurança. Quem o cria são as imagens que passam na televisão, e os seus intervenientes…
De resto, o tema não é novo. Da última vez que o PS esteve no governo (é claro que, quando a Direita está no governo, a apurada consciência política dos miúdos do gueto diz-lhes que é melhor ficarem em casa), houve blacks a gabarem-se na televisão de não terem feito nada quando as gasolineiras eram assaltadas em série, assim como a actriz Lídia Franco. Entretanto, a coisa passou…
Há um facto que é necessário reconhecer: há um fenómeno de delinquência em massa, passível de se repetir, e intolerável. Diga o Bloco o que disser, há que tomar medidas. As medidas sociais levam tempo e os resultados são difíceis. As medidas policiais são rápidas, funcionam (?) e evitam que se crie um clima de medo.
E deveriam ser as pessoas de cor as primeiras a pedir a intervenção da polícia. É no interesse de todos os africanos que não se crie um clima de insegurança ligado à cor da pele, para que não pague o justo pelo pecador. E a polícia é essencial para que as pessoas não tenham medo…
Agora se os africanos funcionarem como todos os outros lobbyes deste país, se se agruparem fechadinhos e se fizerem de vítimas gritando pelos seus direitos de forma vazia, não se admirem que “os outros” se voltem contra eles…
E não tenham medo de manifs e desfilezitos dos tontinhos da Frente Nacional. Isso é muito menos assustador para os negros que o arrastão para os brancos.

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