quinta-feira, junho 23, 2005

Fogos
No seguimento de alguns debates que tenho tido com a Marisa Sêco, via Messenger, sobre os incêndios que assolam o país desde que a nossa geração tem memória, mas com particular incidência no século XXI, (e sobre muitas outras coisas), gostaria de puxar uma autoridade para o meu lado, citando parte da entrevista que Francisco Moreira, biólogo e investigador do Centro de Ecologia Aplicada, deu à revista que saiu com o Diário de Notícias no domingo passado:
“Um dos grandes problemas que leva aos fogos florestais tem a ver com o fim da agricultura, com o abandono de áreas que eram agrícolas e funcionavam como corta-fogos. Eram zonas sem vegetação – ou tinham vegetação que não ardia muito – e que serviam para parar um incêndio florestal. Com o abandono da agricultura, dos terrenos, com a diminuição da população do meio rural, tem-se promovido a homogeneização da paisagem. E o que dantes era um mosaico, que tinha hortas e gente a cortar mato – e, portanto, a retirar material que facilmente arde – passou a ser uma paisagem homogénea. O desaparecimento das actividades ligadas ao meio rural tem promovido a ocorrência de maiores incêndios.”

Religião
Aqui há tempos houve neste blog uma tentativa de lançar um debate sobre religião que, infelizmente, abortou. Pegando nessa deixa, apetece-me deixar aqui um excerto de um dos livros que li ultimamente: “Anjos e Demónios”, do célebre Dan Brown (escrito antes do Código Da Vinci.)
Não vou fazer comentários nem dizer se concordo ou discordo.

“- A religião é como a linguagem, ou a maneira de vestir. Somos atraídos para as práticas em que fomos educados. No fim, porém, todos proclamamos a mesma coisa. Que a vida tem um significado. Que estamos gratos ao poder que nos criou.
Langdon parecia intrigado.
- O que está a dizer, então, é que sermos Cristãos ou Muçulmanos depende apenas do lugar onde nascemos?
- Não é óbvio? Veja a difusão da religião no mundo.
- A fé é então aleatória?
- De modo nenhum. A fé é universal. Os nossos métodos específicos de entendê-la é que são arbitrários. Alguns de nós rezam a Jesus, outros vão a Meca, outros estudam partículas subatómicas. No fundo, andamos todos simplesmente à procura da verdade, uma verdade maior do que nós.
(…)
- E Deus? – perguntou. – Acredita em Deus?
(…)
A ciência diz-me que Deus deve existir. O meu cérebro diz-me que nunca serei capaz de compreender Deus. E o meu coração diz-me que não deverei conseguir.
(…)
- Acredita então que Deus é um facto, mas que nunca conseguirá compreendê-l’O?
- Compreendê-l’A – disse ela, com um sorriso. – Os seus americanos nativos tinham razão.
Langdon riu-se.
- A Mãe Terra.
- Gea. O planeta é um organismo. Todos nós somos células com diferentes propósitos. E apesar disso interligados. Servindo-nos uns aos outros. Servindo o todo.”
(pp. 129-130, pela edição da Bertrand)

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