Antes de passar à Fórmula 1, não quero deixar de assinalar a minha semana de praia (5 dias consecutivos, de terça a sábado) que me atribuiu um respeitável bronze (o litoral oeste não é o Algarve, mas também não é tão mau como se diz) e, na mesma linha, agradecer à Filipa Ribeiro (que esteve de férias) a companhia e a boleia. É bem possível que ela não vá ler este texto nos tempos mais próximos, mas este é um caso idêntico ao da D. Teresa: o que conta é a intenção, e quem ler isto e conhecer a Filipa fica a par da estima que lhe dedico e pode roer-se de inveja (só apanhámos um dia de mau tempo.)
HISTÓRICO – PÓDIO PARA PORTUGAL!!!
Agora, outro agradecimento: ao Nuno (ao contrário da Filipa, ele vai provavelmente ler este texto) que me foi mantendo informado ao longo do GP dos Estados Unidos, visto que a execrável RTP não o transmitiu, limitando-se a dar informações ao longo do Telejornal, com o José Rodrigues dos Santos a fazer os possíveis para que ninguém percebesse que ele não percebe muito do assunto.
Tiago Monteiro tornou-se o primeiro português a terminar um GP de F1 no pódio. Ralf Schumacher teve um violento acidente (na mesma curva final, onde bateu o ano passado) nos treinos de sexta-feira e estava para ser substituído por Ricardo Zonta. O acidente deveu-se ao rebentamento de um pneu e a Michelin começou a tremer, anunciando que havia problemas graves e que para este circuito não poderia garantir a segurança dos pilotos que usam os seus pneus, que são ao todo 14 (isto é, todos menos Ferrari, Jordan e Minardi.) Mesmo assim, e como "the show must go on", pensei que o problema fosse resolvido… mas não foi.
É evidente que a desistência de 14 pilotos na volta de aquecimento não acontece todos os dias. Nunca na história da Fórmula 1 um GP tinha começado com menos de 14 carros. Assim, aquela largada com 6 carros a salpicar uma grelha vazia parece uma grande palhaçada. Razões tiveram os espectadores norte-americanos, que assobiaram e atiraram objectos para a pista.
Não que os 14 pilotos devessem ser obrigados a correr riscos – mas é uma vergonha para a Fórmula 1 que 14 pilotos não possam largar… na verdade, é um dia muito negro para a Michelin e para a FIA, que deverá repensar a estupidez de proibir mudanças de pneus na corrida…
Também por isso os festejos dos pilotos da Ferrari no pódio foram muito comedidos. Concerteza que o heptacampeão não considera esta como uma vitória a sério, ele que está farto de vencer – mas que já ganhou outras corridas sem ser a sério, como o GP Áustria 2002 que Barrichello lhe ofereceu na última volta. Só o Monteiro festejou, mas não podemos comparar… afinal, e para os que quiserem minimizar o resultado do português, a verdade é que largaram 6 carros e o Monteiro deixou 3 atrás de si. Entre eles, e com grande estrondo, o colega de equipa, que perdeu uma oportunidade de oiro de chegar ao pódio…
Quanto à corrida, que há a dizer de ver 6 carros?!… a Ferrari controlou com toda a calma e deu 1 volta aos Jordan e 2 voltas aos Minardi…
Notas:
- Acho que não passava pela cabeça de ninguém que Schumacher não ganhasse. A saída de pista do Barrichello no fim da recta da meta, quando o alemão saía das boxes, não parece de propósito, e o próprio diz que não foi – mas neste caso há que referir que Barrichello perdeu, pelo menos, uma boa oportunidade de ser o vencedor moral de um GP. Mas enfim, o cadastro desta equipa é tão grande que nem adianta falar nisso…
- Este foi o melhor resultado de sempre da Minardi – colocou pela primeira vez os dois carros nos pontos. Os parabéns ao Reinold – Christjan Albers conseguiu o 5º lugar deixando atrás de si o colega Friesacher. São os primeiros pontos de um piloto holandês desde o GP Áustria 2001 (6º lugar de Jos "The Boss" Verstappen.)
- Schumacher está a 3 pontos de Raikkonen e a 25 de Alonso…
Morremos sempre na praia?
Ainda dizem que os portugueses falham nos momentos cruciais… o Tiago Monteiro deu uma valente lição a Portugal. Nestas circunstâncias, pontuar era fácil, era só chegar ao fim. Mas para chegar ao pódio era preciso andar bem, não cometer erros e bater o colega de equipa, com um carro igual… dadas as hipóteses da Jordan, o dia de ontem era como o Sporting na final da UEFA, ou a selecção na final do Euro. Uma oportunidade única e que – COM TODA A CERTEZA! – nunca mais se repete. E o Monteiro não a desperdiçou. É esse o seu grande mérito, e Portugal pode-se orgulhar do seu piloto.
E a bandeira de Portugal fica muito bem ao lado da alemã e da brasileira…
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