sexta-feira, dezembro 30, 2005

"EU NUNCA ME ENGANO E RARAMENTE TENHO DÚVIDAS"
«Cavaco Silva é como um eucalipto, que provoca aridez à sua volta»
Miguel Cadilhe, antigo Ministro das Finanças do Governo do Dr. Cavaco Silva


Depois de ler, atentamente, alguns artigos de opinião recentes sobre as Presidenciais 2006 resolvi escrever sobre esse tema. Quando leio que o Doutor Cavaco Silva é um homem de diálogo, além de ficar chocado, sinto-me na obrigação de tecer alguns comentários sobre esta matéria. Apesar de ser insignificante ao pé de alguém com o historial e currículo de uma personalidade como Cavaco Silva, tenho a certeza de uma coisa, dialogante é um adjectivo que jamais poderá ser empregue para classificar este Senhor. Dizer o contrário demonstra desconhecimento e cegueira (talvez causada pelo nevoeiro sebastianista que envolve a candidatura de Cavaco Silva).
Analisando as candidaturas e respectivos manifestos eleitorais, tentamos perceber que garantias cada uma oferece para os próximos 5 anos e de que forma o candidato, sendo eleito, vai cumprir e exercer da melhor forma os poderes presidenciais. Além destes pressupostos, o perfil e percurso de cada um dos candidatos é um factor que se revela determinante numa eleição deste tipo.
Depois do 25 de Abril, Portugal enfrentou períodos conturbados até conseguir alcançar alguma estabilidade política a partir de 1985. Dai que, não descurando a importância histórica do período entre 1974 e 1985, o período a partir de 85 é determinante para o Portugal de hoje. Ou seja, a crise que hoje atravessamos deve-se, também, às orientações e politicas adoptadas a partir desse ano. Como todos sabem o Primeiro-ministro de Portugal, a partir de 1985, foi Cavaco Silva. É inquestionável que Portugal se desenvolveu nos anos em que o referido candidato foi primeiro-ministro. No entanto, algumas politicas adoptadas (e a falta delas) nos 10 anos de Governação “Cavaquista” custaram caro a Portugal e revelam-se preocupantes no mundo de hoje. O panorama económico favorável com a entrada na CEE e os fundos comunitários permitiram que Portugal progredisse em termos de infra-estruturas. No entanto, nunca foi dada a atenção devida àquilo que hoje se revela como, provavelmente, o maior problema estrutural de Portugal: os altos índices de analfabetismo funcional da nossa população. Estamos na Cauda da Europa. Em alguns sectores estamos muito atrás dos países europeus que, só agora, entraram para a União Europeia. Isto acontece porque as medidas estruturantes para um desenvolvimento sustentável e um crescimento equilibrado não foram tomadas. Quando os alicerces são mal construídos, a casa cai.
Deveria ter sido dada mais atenção à formação e qualificação das pessoas. O Binómio Qualidade/Desenvolvimento foi substituído pelo Binómio quantidade/desenvolvimento. O crescimento em termos de infra-estruturas deveria ter sido acompanhado por um plano de formação.
Não basta aumentar a escolaridade obrigatória. Era imperativo promover a formação profissional. Hoje, estamos a pagar, muito caro, essa falta de visão estratégica e a falta de perspectiva a médio longo prazo.
Além destes erros estruturantes, muito mais poderia ser dito sobre a postura de Cavaco Silva enquanto Primeiro-ministro e da instabilidade social que o País atravessou. Os métodos usados, que relembram os tempos da “velha senhora” são apenas alguns exemplos que jamais poderão ser esquecidos.
Queremos um Presidente regulador, garante da estabilidade e do cumprimento da Constituição da República ou um Presidente governante, com poderes de ingerência na acção governativa?
Queremos permitir o constante atropelo institucional entre Presidência da República e Governo ou uma colaboração estreita entre estes dois órgãos de soberania, cada um com as suas competências já definidas?
Uma das questões que tem marcado a agenda política nesta pré-campanha eleitoral é o reforço dos poderes presidenciais.
Eu pergunto porquê e para quê?
Os poderes actuais são mais do que suficientes para que o Presidente da República seja um garante da estabilidade e do cumprimento dos valores e princípios de um sistema político democrático. Temos exemplos recentes disso mesmo. Posições tomadas que foram ratificadas pelo “órgão” mais soberano – Os eleitores.
Querer fazer do Presidente da República um Primeiro-ministro “alternativo”, pode subverter as reais funções Presidenciais de um regime republicano como o nosso e criar um período de instabilidade irreversível no nosso País.
Aliás, aqueles que agora apoiam Cavaco Silva e que defendem o reforço dos poderes presidenciais, são os mesmos que há cerca de um ano e meio atrás defendiam exactamente o contrário, tomando posições ao sabor do vento, que é o mesmo que dizer ao sabor das conveniências partidárias. A dissolução da Assembleia da República provocou um debate sobre a redução dos poderes presidenciais onde os grandes defensores da diminuição desses poderes eram aqueles que agora querem um Presidente com “poderes reforçados”.
Além destes pressupostos é fundamental que o Presidente da República, pelo período que o nosso país atravessa, seja alguém com uma apurada sensibilidade política.
Uma visão tecnocrata e neoliberal do futuro agravará os problemas sociais que hoje enfrentamos. É devido a este imperativo de sensibilidade política que o perfil do próximo Presidente da República será determinante para responder aos desafios que o futuro apresenta. Cavaco Silva não tem este perfil.
Votar Cavaco Silva é votar na instabilidade social, política e Institucional. É votar no pai do “monstro” que é o défice orçamental, é votar num dos principais culpados pela crise que hoje atravessamos, é votar na prepotência e arrogância de quem um dia disse “eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas”.
Esta afirmação não significa pragmatismo ou objectividade como alguns agora dizem, significa arrogância e falta de sensibilidade política que jamais poderá caracterizar um Presidente da República e que pode originar uma grave crise política, associada à crise económica que hoje vivemos.
Termino parafraseando um antigo ministro de um Governo do Dr. Cavaco Silva, Miguel Cadilhe, que defende que Cavaco Silva é o pai do “monstro” que é o défice orçamental. Tendo em conta as funções governamentais do autor desta afirmação, penso que não haverão grandes dúvidas acerca da sua veracidade. Se um antigo ministro classifica desta forma o seu Primeiro- ministro quem somos nós para discordar?

terça-feira, dezembro 27, 2005

“Cada material tem o seu cheiro. Dá para identificar o material pelo cheiro.”
“Se cheirares o P.O.M, ficas ganzado. Até ao queimares, a chama é diferente, é azul.”
Joaquim, operário da secção de injecção da Key Plastics

Extractos da entrevista de Ricardo Araújo Pereira com Ana Sousa Dias, no programa Por Outro Lado (26/12/2005)
- começámos pelo Natal dos Hospitais, que é sempre o topo da carreira, e a partir daí foi sempre a descer.
- Se tiver dinheiro, talvez a próxima série tenha um nome composto, tipo Lopes da Silva, ou então com hífen, como Corte-Real.
- …mas no início, se tivéssemos dinheiro, teríamos optado por contratar actores a sério para fazer os sketches.
- O Zé Diogo perde a compostura, começa a rir-se a meio do sketche, é um palerma…
- O “brainstorming” é feito em casa do Zé Diogo, que é solteiro, e não tem crianças…
- Temos tido convites para uma nova série por parte de vários canais… tamém não há assim tantos… mas de canais de cabo também. É como o Durão Barroso, sabe que vai ser primeiro-ministro, só não sabe quando.
- Temos duas fontes: isso que já referiu, Monty Python, Big Train, Woody Allen, Seinfeld… e também a vida real, as coisas do dia-a-dia. Ou então, como diz o Woody Allen, “a arte não imita a vida, a arte imita a má televisão.”
- …Esse sketche derivou do Marco, do Big Brother, que dizia “quando eu vejo que há por aí palhaços que falam, falam e não os vejo fazer nada.” A Gisela, do Masterplan, dizia permanentemente “certas e determinadas coisas” para fazer conta que tinha alguma coisa para dizer… e o actual treinador do Sporting está sempre a dizer “fundamentalmente…”
- Gosto mais deste seu programa aqui na 2 do que na rtp1. É que lá, você tem sempre o mesmo convidado… (
ASD: sabe, é que está no contrato…)
- Quando eu faço de matarruano, é o meu próprio lado matarruano que está em jogo; ou quando faço de palerma, é a minha própria palermice que aparece ali…


Boas Entradas e Saídas
E um Feliz 2006 a todos os leitores e amigos. Pelos próximos dias, quem quiser pode procurar-me aqui.

Fórmula 1 – Os Dez Mais (segundo o Anuário)
1 – Alonso
2 – Raikkonen
3 – Coulthard
4 – M. Schumacher
5 – Trulli
6 – Fisichella
7 – R. Schumacher
8 – Montoya
9 – Button
10 – Webber
Alonso e Raikkonen mantiveram, ao longo de toda a época, um nível muito elevado de rapidez, regularidade e trabalho de “boxes”, e ambos demonstraram que poderiam ser campeões. O Anuário fez a sua opção segundo as duas ou três ocasiões em que Kimi exigiu demais dos pneus ao início (Austrália e Europa) ou subiu demais aos correctores, contribuindo para um abandono (S. Marino) – o que é discutível. Em todo o caso, ambos justificaram plenamente o material que conduziram e as duas primeiras posições.
Não pensei que o Anuário colocasse Coulthard numa posição tão alta. Eu e um ou dois leitores deste blog fazemos uma espécie de clube anti-Coulthard e ficámos aliviados quando o segundo McLaren ficou livre deste fardo. Mas a verdade é que acabo por concordar com a atribuição. Uma classificação subjectiva deve ter em conta o máximo de factores possíveis; ora, a verdade é que os três pilotos que, ao longo de 2005, mantiveram níveis mais elevados de rapidez, regularidade, trabalho de “boxes”, fazendo a diferença em relação ao material que conduziram, são de facto os três mencionados. Antes de abrir o livro, pensei que o inevitável Schumacher estivesse em terceiro; de resto, a esmagadora maioria dos pilotos passou por diversas fases de motivação, concentração, ou simplesmente cometeu erros a mais. Com mais uma ou duas pontuações, talvez o próprio Monteiro tivesse lugar nos Dez Mais.
Coulthard leva 12 temporadas completas de Fórmula e um padrão: é mais competitivo em carros inferiores. Andava ao nível de Hill e Hakkinen de 94 a 97; e foi o primeiro piloto da McLaren em 2001. Quando a McLaren teve carros capazes de ganhar o campeonato, Coulthard ficava na sombra; ora de Hakkinen, de 98 a 2000, ora de Raikkonen, em 2003. É possível que se encontrasse muito desmotivado em 2004 e que o novo ambiente, com menos pressão, o fizesse renascer. A aposta foi ganha. Coulthard levou o Red Bull a lugares bem acima do esperado; pontuou com regularidade (mais que na McLaren…), raras vezes andou atrás dos jovens colegas (ao contrário do que cheguei a pensar), foi um claro líder de equipa e a renovação para 2006 foi um passo lógico. A carreira de Coulthard renasceu e vai ser certamente ser encerrada de forma muito digna. (E a Red Bull cobriu de vergonha toda a gestão anterior, fazendo 34 pontos só num ano, enquanto a Jaguar fez 49 em 5 anos…)
De Schumacher já tudo se disse, e não deixa certamente de ser o melhor dos outros. Em todo o caso, o Schumacher de 1996 dava tudo por tudo para ganhar mais um pontinho que fosse, enquanto o de 2005 (compreende-se…) andou desmotivado (especialmente visível na última corrida!). Os Ferrari andaram muitas vezes lado a lado e isso não é normal. Em todo o caso, quando havia hipóteses de um bom resultado, Schumacher estava lá, conseguindo alguns segundos lugares – e uma fantástica corrida em S. Marino, uma daquelas que nos faz gostar de o ver correr, e a que só Alonso conseguiu responder. Há que ter em conta o Hepta para 2006.
Os outros (apesar de haver suspeitas sobre o favorecimento da Renault a Alonso) acumularam desmotivação, lesões a jogar ténis/motocrosse, erros na escolha de estratégia, má gestão dos pneus (que regra tão estúpida…) enfim, muitos altos e baixos. Eu talvez colocasse Heidfeld à frente de Webber, que não se mostrou tão forte como esperado.
De Villeneuve esperava-se que fosse na Sauber o que Coulthard foi na Red Bull, mas a grande desilusão do ano foi o Sato; depois da boa temporada de 2004, andou completamente desastrado, e a léguas de Button. Acabou por confirmar o que eu esperava: para se ser o melhor japonês de sempre não basta fazer algumas corridas de bom nível. E, para mim, o Katayama fez melhor. (É interessante comparar com os Dez Mais de 2004.)

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Eu podia falar do debate entre Soares e Cavaco. Podia ter feito uma referência ao solstício de Inverno, na passada quarta-feira, e podia até dito que o Código da Vinci sugere que o Natal foi marcado de modo a coincidir com a festa que religiões pagãs e celtas faziam quando os dias recomeçavam a crescer. Podia dizer que ficámos todos chocados com a saída de Manuela Moura Guedes do Jornal Nacional da TVI.
Não falei disso porque, como já se disse, o blog não tem donos - além de que esta tem sido uma semana muito natalícia; primeiro andava a dormir à meia-noite para acordar às 4, como se estivesse em véspera de exames, e para cúmulo o meu organismo esgotou o stock de vitamina C. Por isso, limito-me à honra que me atribuíram.

O CASAMENTO DA ÂNGELA – parte 3
O Domingo já não faz parte do casamento; mas esta história ficaria incompleta sem a viagem a Gouveia, a casa da Andreia.

De manhã, o Nuno foi à sua vida enquanto nós ficávamos a olhar para o tecto, hesitantes em sair para o frio. Pelo meio ficaram considerações várias sobre os mistérios das mulheres, os problemas dos longos namoros, acções e investimentos, viagens, mais ou menos opções de vida, enfim, fumo e nevoeiro que logo se desvanece - mas de que fica a memória, especialmente deste porque é um tema de que já falei longamente com a Ana:
- vinhas para Vila Nova de Paiva e o que é que há para fazer?
- Nada.
- E eu, na Marinha, o que é que há para fazer além de ir ao café, ou à voltinha dos tristes, ou a um centro comercial? Não se faz nada em parte nenhuma…não se está aqui tão mal.
Serão assim tão poucas as diferenças entre as grandes urbes, as médias cidades e as Santas Terrinhas de Portugal? Será que o tédio e a pasmaceira condenam os domingos, seja onde for?…
Saímos “rapidamente”, com muitas aspas, das camas depois da Andreia nos ter convidado para almoçar na sua casa, em Gouveia. E, de certa forma, fazia todo o sentido ir a Gouveia no mesmo momento em que viemos a Vila Cova e a V.N. Paiva. É como se o ciclo se completasse. Mas não sem antes saudarmos fortemente o Nuno que tão bem nos recebeu.
Deixar umas serras e partir em direcção à Serra. Experimentámos um desvio: se fôssemos de Vila Nova por Sátão-Penalva do Castelo-Mangualde, era desnecessário ir a Viseu. Infelizmente, em Sátão há muito mais igrejas que placas de sinalização, e acabámos (o instinto do Reinold é que estava certo…) por ir ter á estrada para Viseu, cheia de passeantes e papa-reformas, e já estávamos bem atrasados… seguimos por um estreito e engarrafado IP5 até Mangualde, também cheia de rotundas e atulhada de obras. Era quase impossível descobrir a estrada para Gouveia… finalmente apanhámos uma estrada parecida com os jogos de corridas da Mega Drive: por mais que andássemos em frente, as montanhas lá ao fundo estavam sempre na mesma – a encosta ocidental da Serra da Estrela. Cruzámos um Mondego muito pequeno, numa “Livraria” parecida com a outra, e chegámos ao Intermarché de Gouveia já depois das três. Para não ceder ao sono e aliviar a sede, bebemos umas colas e observámos um puto excitadíssimo a jogar na Xbox do super-mercado, e que respondia ao tédio domingueiro do pai que o chamava com “cala-te, já vou!” Pouco depois a Andreia chegava.
A casa é muito bonita, a ligação a África é mais que evidente e a vista… bem, dá vontade de pôr uma cadeira na varanda e perder os olhos no vasto horizonte… Começámos a almoçar por volta das 16h, sob o “olhar atento” dos pais da Andreia, que – espero eu – compreenderam o estado geral de “cansaço” derivado da festa do dia anterior… deve ser realmente uma enorme tortura viver uma vida em África e depois conviver com o frio da Estrela, mas isso não afecta a simpatia dos pais da Andreia, em especial da mãe, que, de resto, tem “muito bom aspecto”… Da parte que me toca, e depois de conhecer o sr. Vítor Gomes, este ano tem sido muito enriquecedor no que toca ao contacto com a “classe” mal-compreendida e vítima do maior drama do século XX português que são os retornados. Se o convite se concretizar, talvez o contacto se repita… tivemos ainda a magnífica indicação personalizada do caminho até Seia – correndo ao longo do sopé da serra - já que os pais da Andreia insistiram para que não nos perdêssemos…
A partir de Seia, já noite fechada, regressámos ao vale do Mondego, até Nelas. Não havia tempo para mais paragens; o Danish tinha ainda uma longa viagem de expresso pela frente e eu ia entrar no turno das 5h, pelo que não devia deitar-me tarde.
A política do desenvolvimento pelo betão tem sido muito criticada, mas tem algumas vantagens. Entre Nelas e Leiria a viagem decorreu a uma velocidade média superior a 120 km/h; primeiro pelo IC12 (com a placa indicadora da celebérrima Canas de Senhorim), depois pelo IP3 e finalmente pela A1, onde (entre os nós de Coimbra Norte e Coimbra Sul, na vasta planície do Mondego) indiquei aos outros passageiros uma paisagem única: Coimbra nocturna iluminada, vista a 5 km de distância – e a Cabra ali tão perto… o Daniel não terá visto, paciência.

Resta-me repetir os votos de muita felicidade à Ângela e ao Anderson, e encerrar com uma espécie de discurso:
“Porque, nos dias de hoje, e ao contrário do que por vezes se diz, o casamento não é a estabilidade aborrecida e monótona: a vida está tão difícil que o que é monótono é permanecer sem grandes projectos, esperando pacientemente que os anos passem, até acordarmos de repente e pensarmos que não conseguimos – nem tentámos! – construir algo de nosso. A vida está tão difícil que o casamento é uma aventura e um risco – e é essa aventura e esse risco que (…) vamos viver, de mãos dadas e corações em sintonia.”

quarta-feira, dezembro 21, 2005

O Casamento da Ângela – parte 2
Deixamos para trás a placa de indicação de localidade de Vila Cova à Coelheira, onde alguém pintou o símbolo dos Xutos, e seguimos em marcha lenta até Vila Nova de Paiva. O copo-d’água seria na Escola Secundária da vila.
(Edifício em blocos, ao estilo dos anos 80, mas com revestimento exterior a tirolês, uma moda arquitectónica muito passageira de finais dos anos 70, pouco bonita mas muito durável, ao contrário da habitual tinta que se desgasta facilmente.)
Após um pequeno compasso de espera, a entrada para a sala de buffet. Dizem os espanhóis que não gostam de ver bons princípios aos filhos, querendo dizer que o que começa mal, acaba bem. Assim, o episódio da porta da rua que o chefe de sala ia praticamente destruindo e que arrancou algumas gargalhadas só podia ser visto como bom sinal.
Efectivamente, sucederam-se as boas surpresas. Primeiro, a variedade de petiscos, e bebidas; o serviço personalizado, com uma série de menus extra (feijoada, etc.) a serem servidos individualmente aos convidados; a simpatia dos criados, em especial do chefe de sala; mas a grande surpresa foi mesmo a música ao vivo.
Um grupo misto de quatro acordeonistas e uma… tamborista preencheram o silêncio entre os diversos grupos (deveria dizer “guetos patéticos”?) da melhor forma. O Quim Barreiros, que carrega uma concertina de teclas e compõe músicas todas com o mesmo ritmo, é um simples entertainer. Ali, tratava-se de músicos a sério. (Já toquei teclado e já toquei acordeão de botões e asseguro-vos que o acordeão de botões exige muito trabalho…) Excelente coordenação entre os músicos que tocaram sem parar durante cerca de 20 minutos; resultado de muitas horas de trabalho, e de muita dedicação. Simplesmente espantoso!
Todos para a mesa. Sem combinarmos, a distribuição ficou bem: um enorme centro de mesa florido, sobre uma base de cristal de pé alto impedia o contacto visual directo entre quem estivesse imediatamente à nossa frente, e a Cláudia e o Nuno colocaram-se em dois extremos da mesa.
(Macei-os a ambos, separadamente, com a minha história sem interesse sobre a única ocasião social em que os meus pais se encontraram após a separação, e de como geriram bem a situação - evitando cruzarem-se - e acabaram por estar como normalmente se está numa festa. A ideia era precisamente que ambos, Nuno e Cláudia, encarassem o casamento da Ângela como uma festa, e evitassem pensar em cenas menos agradáveis. Não sei se ajudei alguma coisa, mas foi o que me lembrei…)
Sopa, peixe, carne. Os músicos voltam à carga, com o seu “líder” natural a fazer um show à parte com as corridas por entre as mesas e por uma série de saltos e meias-piruetas parecidas com as das tunas, sempre sem que o acordeão parasse, como de resto a Andreia pode comprovar, já que teve direito a alguns segundos de música especialmente para si. O hiperactivo Rocco (4 anitos) parecia ter descoberto a sua vocação…
Quando vi que estavam a instalar o sistema de som no palco, achei que era a melhor altura para ligarmos ao Fernando antes que o barulho começasse – é verdade, o aniversariante do dia, que desta forma recebeu os parabéns de nós todos sucessivamente, noiva incluida. (Infelizmente, os Talheres a Exigir Beijinhos também dificultaram a ligação entre Vila Nova de Paiva e as Furnas, mas penso que todos se entenderam.)

De barriga bem cheia e espírito alegre, deixámos o copo-d’água ao pôr do sol e demos uma pequena volta pelo centro de Vila Nova de Paiva (Câmara, largo da Festa), parando num café muito tranquilo e com cadeirões excelentes, onde tratámos das “burocracias” próprias de um casamento. A típica e fatal separação sexista fez com que ao fim de um bocado os homens fossem jogar snooker e as mulheres ficassem na mesa com conversas de mulheres… Na Sport TV, a Académica perdia com o Braga.
Regresso ao copo-d’água para o “jantar.” Da minha parte, não tinha fome nenhuma… limitei-me a petiscar e a beber Casal Garcia.
Não sei dizer de onde me veio o instinto para dançar – e quando digo dançar, é no sentido tradicional da palavra. Não dançava desde a segunda metade dos anos noventa e apesar disso o meu cérebro lembrou-se dos passos essenciais em poucos segundos…e até inventou um ou dois passitos de tango! Só isso bastaria para eu recordar este casamento pela vida fora. Dancei com a noiva, com duas irmãs da noiva, com a mãe da noiva – só me faltou mesmo dançar com o noivo…
O final da noite encontrou-me e ao Daniel numa longuíssima conversa com o pai da Ângela, que só veio confirmar tudo o que ela nos contava dele. Um emigrante sem ponta de arrogância, que em pequeno levava com o cinto (como todos) e que soube interromper a cadeia de violência com uma sabedoria inexistente em muitos pais portugueses. Sabedoria também na hora de aconselhar a filha no curso a escolher; e muito orgulho na filha que saiu “com cabeça” e que teve um efe-érre-á no dia do casamento. Acabámos por ser praticamente expulsos, já que a escola tinha que fechar…
(O distúrbio mais grave ocorrido neste casamento acabou por ser o roubo do centro de mesa, que eu achei que servia perfeitamente como lembrança para a Ana, e que chegou inteirinho a Leiria. Espero que a Ângela me desculpe; afinal, foi por amor…)

O Nuno serviu-nos de guia pela noite de Vila Nova de Paiva. Paragem noutro café, com muito Virtua Striker, Sega Rally 2 e matraquilhos à mistura; paragem na discoteca A Pinha, a “pastilhar” graves com uma violência impressionante (e onde acho que nem todas as noites se vêem indivíduos de fatinho e gravata a curtir a metralhada); e rumo a casa do Nuno. Os mais destemidos do frio serrano (isto é, todos menos os nascidos em climas tropicais) foram ao pão quente. O passeio nocturno incluiu a primeira formação de gelo no solo, muitas casas típicas de granito (mas certamente restauradas e bem equipadas por dentro, tal como a do Nuno) e uma longa dissertação do Nuno sobre os bloqueios sócio-económicos do Interior português e da estagnação, tão visível na sede de concelho como nas pequenas aldeias. Contudo, como se nos quisesse provar que Vila Nova de Paiva não é terra de saloios que nunca viram nada, levou-nos a ver um fenómeno singular: uma maciça casa de granito, rústica e tradicional por fora – como todas as outras – e tendo por dentro, não um simples café, mas um grupo de viciados a jogar um jogo tipo Counter Strike em rede (LAN), em computadores último modelo. Que melhor combinação entre o antigo e o moderno?
(O Xinho, o MALTÊS, o Sakamoto XXX e outros entretinham-se a morrer, em média, uma vez em cada 20 a 30 segundos. Parece que ficam ali das 22h às 8h, num planeta à parte, e gritando frases confusas como “foda-se não o vi” ou “onde está o salvador da pátria?”.)
As camas que costumam servir ao Nuno e aos irmãos serviram-nos perfeitamente, e só faltava repetirmos aquele “festival” de quando dormimos em casa da Ângela e da Cláudia, em Coimbra. E por falar em Ângela, a essa hora deveria estar a gozar a sua noite de núpcias… (ou a dormir depois de um dia de estoirar?…)

(continua)

segunda-feira, dezembro 19, 2005

O Casamento da Ângela – parte 1

Chegou finalmente o momento esperado e a visita a Vila Cova à Coelheira. Como sempre, sublinho que este "relatório" parte do meu ponto de vista pessoal, e portanto as distorções e/ou omissões aos factos são da minha única responsabilidade. A caixa de comentários está aberta a questões, complementos, etc.
Às 7 hora da manhã de Sábado, dia 17 de Dezembro de 2005, estava pronto a partir para Vila Cova à Coelheira, na Beira Alta, e sentei-me à espera da boleia que havia de chegar da Marinha Grande, e que demorou um bocado mais do que o previsto. Até às 7:35, estive a ver a CNN - em Nova Orleães, vão ser organizadas excursões para ver os destroços do furacão Katrina, o que, naturalmente, divide as opiniões locais, já que não será de muito bom gosto… finalmente a boleia chegou – o Danish tinha chegado na sexta-feira a casa do Daniel e o Reinold foi lá ter de manhã.
Temperatura baixas, geada, mas sem gelo na estrada. Até Coimbra não houve história que não o reencontro dos saripianos e muita música, para todos os gostos mas com especial incidência para pimba.
Eu nunca tinha andado no IP3 e percebo agora o motivo de tantos acidentes. Enormes ravinas no lugar de bermas inexistentes; faixas de rodagem estreitas, entre as ravinas e o separador central; curvas com inclinação e raio para todos os gostos… estrada de emoções fortes! Isto para além das zonas de nevoeiro…Fiquei a saber onde é o fenómeno geológico conhecido como Livraria do Mondego, curioso vale bastante profundo e vertical.
À passagem por Santa Comba Dão, um de nós propôs que, no regresso, fizéssemos uma paragem para dançar em cima da campa de Salazar (curiosamente, o mesmo saripiano que defende que a Ponte 25 de Abril deveria manter o seu nome original.) A proposta ficou em stand-by.
Por volta das 9 horas chegámos a Viseu, cidade das mil rotundas. Certamente que a cidade merece uma visita mais cuidada mas, obviamente, não tínhamos tempo para isso. Arriscávamo-nos já a chegar atrasados à cerimónia… combinámos encontro com a Cláudia no McDonald’s, e ela chegou pouco depois de nós. O McEmpregado encarregado da limpeza e manutenção ficou a olhar para nós, com cara de patego, sem perceber porque raio um carro deu uma volta completa ao parque de estacionamento estando o restaurante fechado. Cinco minutos depois, colocou um sinal portátil de "trânsito proibido" à entrada, para impedir novas surpresas…
De seguida, esperámos pela Andreia e pela Brígida, que vinham com cautelas redobradas devido à existência de gelo na estrada… apesar de tudo, lá pelas 10 horas e depois de mais uma quantidade de rotundas, estávamos já a caminho de Vila Nova de Paiva.
Boa estrada, pouco trânsito, muitas placas de sinalização. Foi fácil chegar a Vila Nova e mais fácil ainda chegar a Vila Cova, pelas 11 horas. Estacionar rapidamente, sem confusões entre a igreja e a capela próxima, e entrar com a máxima discrição possível, mas sem deixarmos de ser o centro das atenções, ao entrarmos a monte. Logo aí encontrámos o Nuno, que evitava o frio do interior do edifício.
Com mais ou menos atrasos, a verdade é que chegámos no preciso momento em que se iniciava a troca de alianças. O sistema de som trazia até ao fundo da igreja a voz de uma Ângela nervosa e ligeiramente chorosa, naturalmente emocionada, que se controlou ao máximo para que a cerimónia decorresse normalmente. Pensei na última vez que a tinha visto (no meu jantar de despedida de Coimbra, em fins de Maio de 2004) e pensei também nas voltas que a vida pode dar…
Devido à marcação de três casamentos para o mesmo dia, o padre acelerou o ritmo da cerimónia, o que, associado ao seu sotaque da Beira Ialta, fez com dificilmente percebêssemos o que estava a dizer. Em todo o caso, terá sido uma experiência enriquecedora para os dois convidados de formação não-católica, o Reinold e o Danish. (Quê? Mas tão-se a cumprimentar todos para quê?)
Enquanto decorriam fotografias e assinaturas, fomos buscar as capas para o esperado momento que a própria Ângela já nos havia pedido para o seu casamento, muito tempo antes de conhecer o Anderson. As capas foram estendidas, em tapete de honra, à saída, e pouco depois rodeámos a noiva, de vestido branco e capa preta na mão. Acreditem que fico muito orgulhoso por ter tido a honra de liderar o efe-érre-á que lhe fizemos, enquanto ela lacrimejava mais um bocadinho, e tenho pena de me ter esquecido de fazer referência à "doutora" Ângela. Contudo, tal não impediu que tivéssemos uma enorme salva de palmas no final, que nenhum de nós esperava.
Mais algumas fotografias e, finalmente, um pouco de tempo para olhar em volta. Vila Cova é a típica aldeia beirã: as tradicionais casas de granito, piso em paralelos, montanhas em toda a linha do horizonte (próximo das serras de Montemuro e Leomil), um manso burro numa casa próxima. A toda a volta eram visíveis os estragos dos grandes incêndios de Verão, apesar do verde das chuvas recentes. Numa coisa, contudo, Vila Cova é diferente: a forte ligação ao Brasil, já uma vez documentada num telejornal, e que se reflectia não só no noivo, claro, mas também no nome da rua onde estacionámos: Avenida do Brasil.
Para os não nascidos em Portugal, terá sido estranho que um dos convidados tivesse lançado alguns foguetes a partir do adro da Igreja. Mas, se pensarmos bem, em muitos países, as pessoas disparam tiros de Kalashnikoff para o ar em sinal de festa. Em Portugal, as tradições são de brandos costumes…
Pouco depois do meio-dia, o buzinante cortejo de carros atravessava o Rio Covo a caminho do copo d’água, em Vila Nova de Paiva. Não sei se ou quando voltarei a Vila Cova à Coelheira, mas levo na cabeça uma série de imagens que suponho guardar na memória para sempre.

(continua)

domingo, dezembro 18, 2005

Casamento da nossa grande amiga Angela Costa

quinta-feira, dezembro 15, 2005

1ª Aula de Prespectivas Comtemporâneas de Relações Internacionais II (2004)

Escolas de pensamento ético em RI
Cepticismo: - desconfiança quanto é aplicabilidade universal de regras morais
- RI são determinadas por opder e por células de interesse nacional
- "vacuo ético", juízos de prudeência...
Internacionalismo: - actores internacionais agem num quadro ético minimo.
- pacta sunt sernada, jus ad bellum, jus in bellum.
Cosmopolitanismo: - Direitos Humanos, humanitarismo, ambientalismo
- todos são destinatarios de algumas normas morais identicas.
Enormidades Bombásticas (entre o céu e o inferno)

Os Beatles são mais famosos que Jesus Cristo.
John Lennon

I'm special.
José Mourinho

O meu pai ganha mais num mês que o teu em 10 anos.
Autor não-identificado

Saber escrever português é para quem quer ser escritor ou professor assistente na FEUC, para um simples bancário o que é necessário é ser proactivo, criativo, empenhado, inteligente e bonito.
Daniel Sousa, blog da SARIP, 12/12/05

Saber escrever português é para quem quer ser escritora ou professora, para fazer o curso de Arquitectura o que é necessário é ser proactiva, criativa, empenhada e bonita. Nem é preciso ser muito inteligente.
Ex-aluna de Tomás Taveira

o III Reich vai durar 1000 anos.
Hitler

O Pinto da Costa é o meu pai!
Emplastro

terça-feira, dezembro 13, 2005

"Olha lá, mas este homem não é muito velho para jogar? Não estou a perceber o que estou a ver…"
Reacção da minha mãe à aparição de Jorge Costa, com a camisola do Standard Liège, num noticiário televisivo

Viagem a Portugal: a Universidade…
"Enfim, esta é a Universidade de Coimbra, donde muito bem terá vindo a Portugal, mas onde algum mal se preparou. O viajante não vai entrar, ficará sem saber que jeito tem a Sala dos Actos Grandes e como é por dentro a Capela de S. Miguel. (…) a este Pátio das Escolas se limita a dar a volta, sem gosto pelas estátuas da Justiça e da Fortaleza que o Laprade armou na Via Latina, mas de gosto rendido diante do portal manuelino da Capela de S. Miguel, e tendo entrado pela Porta Férrea por ela tornou a sair". (…)
…a Sé Nova…
"A fachada da Sé Nova é um cenário teatral, não por exuberâncias cenográficas (…) mas pela neutralidade, pelo distanciamento. Diante desta fachada pode representar-se um drama de capa e espada ou uma tragédia grega, o Frei Luís de Sousa" (…)
…e Santa Clara-a-Velha
"Santa Clara-a-Velha vê-se muito bem a distância, mas depois, dá-se a volta, segue-se ao longo de uns prédios e desaparece. Enfim torna a aparecer, é uma construção arruinada, melhor ainda, uma ruína total, confrange-se o coração de ver tal abandono sob a grande chuva que continua a cair. Há aqui uma escada de ferro, é legítimo subi-la, ao menos para procurar abrigo, e quando lá está dentro pode fechar o guarda-chuva, dar as boas tardes ao guarda, que é surdo e responde pelo mexer dos lábios ou se lhe gritam alto, e estando isto esclarecido, olha enfim os grandes arcos, as abóbadas, e também o céu através dos rasgões das paredes.
Santa Clara-a-Velha foi convento feminino, e, realmente, há nesta melancólica igreja uma atmosfera particular de gineceu (…) [o viajante] ouve contar a história dos subterrâneos que ligavam os conventos a outros conventos, e a este de Santa Clara-a-Velha vem dar um que começa no Jardim da Manga, e a meio caminho, debaixo do chão, há uma sala com uma mesa de pedra e bancos em redor, e que tem as paredes forradas de azulejos" (…)
José Saramago, Viagem a Portugal (1995)

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Relativismo da Óptica


Estamos em Época Natalícia...

"Opá, ‘tavas bem era a dormir!"
Reacção de uma operária da Marinha Grande à aparição de Mário Soares num noticiário televisivo

"Biografia" revista de Simón Bolívar, "o Libertador" das guerras de independência das colónias espanholas na América do Sul: o sonho…
"Acusavam-no de ser instável na sua forma de julgar os homens e de manejar a história, (…) de fazer a guerra de morte contra Espanha e de ser um grande promotor do seu espírito, de se ter apoiado no Haiti para ganhar e depois considerou-o um país estrangeiro para não o convidar para o Congresso do Panamá, de ter sido maçon e ler Voltaire na missa, mas era o paladino da Igreja, de cortejar os ingleses enquanto ia casar com uma princesa de França, de ser frívolo, hipócrita e até desleal, porque adulava os amigos na presença deles e denegria-os pelas costas.
- pois bem, tudo isso é certo, mas circunstancial – disse – porque fiz tudo com o único objectivo de tornar este continente num país independente e único, e nisso não tive nem uma contradição nem uma só dúvida. O resto são sacanices!"
…e a desilusão final
"A merda é que deixámos de ser espanhóis e depois andámos de cá para lá, por países que mudam tanto de nomes e de governos de um dia para o outro, que já não sabemos nem de onde raio somos."
Gabriel Garcia Marquez, O General No Seu Labirinto (1989)

John Lennon - 25 anos

terça-feira, dezembro 06, 2005

PRESOS POR TER CÃO E PRESOS POR NÃO TER!!
A União dos Editores Portugueses (UEP) considera que a criação de comissões para avaliar e certificar os manuais escolares antes de estes serem lançados no mercado viola a liberdade editorial e serve apenas "o clientelismo partidário"."Estas comissões servem talvez para arranjar subsídios e empregos aos 'boys' dos partidos", acusou hoje o presidente do Conselho de Educação da UEP, Manuel Ferrão, numa conferência de imprensa destinada a analisar o anteprojecto do Governo sobre manuais escolares, uma semana antes de terminar o prazo de consulta pública do documento.Para a UEP, a avaliação prévia dos manuais - prevista no anteprojecto apresentado em Novembro - "é uma forma encapotada de regressar ao livro único", próprio "de regimes autoritários como o Estado Novo", e representa "um atestado de incompetência aos professores", os únicos a quem cabia escolher até agora os livros a adoptar em cada escola entre todos os disponíveis no mercado.Caso o Governo insista na avaliação prévia, os editores defendem que esta seja feita através das universidades, escolas superiores de educação e associações científicas e de professores e não através de uma comissão de peritos cujas decisões não são susceptíveis de recurso.O documento do Ministério da Educação estipula ainda o aumento do prazo de vigência dos manuais escolares de três para seis anos, uma medida que a UEP afirma pôr em causa a qualidade da educação em Portugal."in Público"


A famosa fábula de La Fontaine "O Velho, o Rapaz e o Burro" seria uma excelente leitura de cabeceira para o sr. Manuel Ferrão.Mais um lobbie que vê o seu território em perigo e defende-se com argumentos estapafúrdios. Melhor seria ter referências aos Big Brothers nos manuais ou referências à religião............
Assim vai o nosso país....
HAJA CORAGEM PARA CONTINUAR

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Francisco Sá Carneiro
19.07.1934 - 04.12.1980




Retiro espiritual
O isolamento e a contemplação como via para alcançar o auto-conhecimento, a felicidade... etc...


sexta-feira, dezembro 02, 2005

RI Comemora 10 Anos
Recebi isto por mail..pa tds que frequentam ou frequentaram o curso:
Caros colegas, antigos colegas e demais amigos, como certamente sabem a Licenciatura em Relações Internacionais da Faculdade de Economia da Universidade festeja este ano o seu 10º aniversário. Para comemorar esta efeméride o NERIFE organizou-se para realizar um jantar-buffet comemorativo. Decorrerá no dia 7 de Dezembro próximo por volta das 20h no Centro Cultural D. Dinis, aqui em Coimbra. O preço do jantar será de 7€50 para estudantes e antigos estudantes no desemprego, e de 12€50 para antigos estudantes empregados, docentes e funcionários. A inscrição no jantar deverá ser feita para o e-mail nerife.aac@gmail.com
Para além da vossa entusiasta participação (mesmo considerando o curto aviso) pedimos ainda que espalhem a notícia o melhor possível, através dos vossos antigos colegas e amigos de curso. Muito obrigado pela atenção, Até dia 7! Pela organização, Filipa Barreiros Tel.: 962903571

terça-feira, novembro 29, 2005

SEXO - Contrastes
"Ora, se me dão licença, quero insurgir-me contra esta ideia de pornografia para todos. Sobretudo, acho indecoroso este laxismo diante do canal Viver. E, por favor, não insinuem que estará subjacente ao que vos digo uma ideia conservadora da sexualidade. É exactamente o contrário. É porque acho que a sexualidade dos adultos é uma questão de saúde pública, que penso que a pornografia para todos deveria merecer uma reflexão mais cuidadosa. E porque as crianças não merecem confundir o cio com a sexualidade, julgo que a pornografia para todos é um mau-trato. E é porque não tenho duvidas de que a sexualidade é um espaço onde se aprende que amar é dizer eu e tu ao mesmo tempo que acho que a pornografia para todos é uma tentativa com que nos tentam fazer crer que o mundo é um império dos feios, sem lugar para pessoas bonitas, bondosas ou leais."

"Resta sempre a constatação (…) sobre as razões que continuam a determinar a procura [da prostituição]: os «desejantes indesejáveis», quer dizer, os homens (e também mulheres) que têm ambições eróticas acima das suas posses. Os que, não sendo nem bonitos, nem sedutores, nem jovens, nem elegantes, apreciam tudo isso e o compram como fazem aliás com tudo o resto. Os que se movem por um desejo de alternância, ou seja, todos os pais de família e senhores (senhoras) bem situados que querem experiências e aventuras que não questionem as suas formas de vida, o seu estatuto e a sua família. Os que deliberadamente querem escapar aos códigos exigentes da sedução e da reciprocidade e que assumem (ou quase) que querem uma relação sexual sem terem de se preocupar com o outro, sem sentirem que estão numa situação de exame, sem estarem preocupados com o serem gentis, com o bom desempenho, com a figura que fazem.
Em resumo, os muitos que, longe do instituído, sentem que a sexualidade não tem a ver com o afecto nem o prazer sexual se tem de inscrever num contexto de relação."

(Estes dois textos de sinal contrário estão na mesmíssima revista - NM, anexo do DN, 20/11/05)

segunda-feira, novembro 28, 2005

A Liberdade
“É uma coisa que nunca pôde acontecer a Xavier, porque Xavier não tinha mãe e também não tinha pai, e não ter pais é a condição primeira da liberdade. Mas atenção, não se trata de perder os pais. A mãe de Gérard de Nerval morreu quando ele era um recém-nascido e apesar disso ele viveu toda a vida sob o olhar hipnótico dos admiráveis olhos dela.
A liberdade não começa onde os pais são rejeitados ou enterrados, mas onde não são.
Onde o homem vem ao mundo sem saber de quem.
Onde o homem vem ao mundo a partir de um ovo largado numa floresta.
Onde o homem é cuspido pelo céu na terra e poisa o pé no mundo sem o menor sentimento de gratidão.”
Milan Kundera, A Vida Não É Aqui

sábado, novembro 26, 2005

Os 30 Anos do 25 de Novembro

25th November - a military radical left-wing coup fails due to action taken by moderate left-wing Colonel António dos Santos Ramalho Eanes who declared State of Emergency and took control of MFA, COPCON and the Commando units.

Não foi bem, bem, assim. Um Coronel não pode declarar o Estado de Emergência; e dizer que um coronel tomou o controlo do MFA e do COPCON é como dizer que o Cristiano Ronaldo tomou conta do Manchester.
Mas o PREC é assim mesmo: atmosfera revolucionária, política, intrigas, manobras e contra-manobras, muita esquerda, alguma direita, algum centro, e muita confusão. No final, e apesar das perdas humanas, os Páras tiveram bom senso e os Comandos saíram com glória do episódio que colocou Portugal definitivamente no caminho da democracia plural, evitando o espectro de nova ditadura. Ou, mais provavelmente, da guerra civil.

sexta-feira, novembro 25, 2005

2 ANOS A ESCREVER MERDA!!!

E eis que o blog da SARIP festeja o seu 2º aniversário, muita merda se tem escrito...
Quem nao se lembra já dos acontecimentos semanais relatados, a exposição e análise detalhada dos jogos de Arroz com Atum no torneio de futsal da FEUC, dos fins de semana passados em S. Martinho do Porto, a descrição de noitadas passadas com a pandilha, noitadas da latada e queima das fitas, das tentativas de discussão e debate político sempre infrutíferas, do aparecimento esporádicos de personagens estranhas que se encarregavam de fazer críticas destrutivas, outros colocando em questão a própria imagem do blog através de mensagens e imagens profundamente injuriosas. No entanto, a imagem da SARIP saíu sempre reforçada, em cada post colocado, sempre fazendo jus ao nome. Uma anarquia completa, em que todos eram e são livres de escrever aquilo que queremos, mesmo em situações complicadas nunca foram tomadas medidas colectivas no sentido de reprimir algum conteudo mais ofensivo, sendo o post da inteira responsabilidade do emissor.
Tal como em tudo na vida, também blog deverá ter como objectivo desenvolver, crescer, melhorar o seu conteudo e porque não, ganhar maior notoriedade a todos os níveis. Mais uma vez a administração não se intromete nesse assunto, ficando por conta dos membros da SARIP publicarem aquilo que muito bem entenderem.
A administração agradece a todos os membros que têm mantido vivo o blog e acima de tudo, o espirito saripiano!!!

ps: Reunião SARIP and friends este sábado na discoteca Império Romano, Marinha Grande

terça-feira, novembro 22, 2005

Última hora - Antigo super-veterano da praxe avistado em Leiria!
A um título de jornal manhoso segue-se um texto simples, calmo e morno, porque o turno das 5h-13h é fixe mas impõe limites. Há cerca de uma hora atrás, um ciclista com capacete a rigor e bicicleta do antigamente chamou-me a atenção, já que não o reconheci - o nosso grande amigo Quim Batinas. Num rápido e surpreendente reencontro, informei-o, a traços largos e simplistas, do destino de cada um dos membros da SARIP, enquanto ele me informava do seu próprio: está, de momento, a trabalhar na delegação leiriense do SEF e, quando tiver possibilidade, regressará a Coimbra. (Esqueci-me de lhe perguntar pelo amigo Marralheiro.) E assegura-me que, em relação à Toyota F1, o melhor ainda está para vir...
Visto estarmos em (boa) maré de recordações, e a propósito de tantas e boas histórias relacionadas, a caixa de comentários está aberta...

segunda-feira, novembro 21, 2005

"O que é que voçê esta pensando neste momento?"

Quem não se lembra dos Mormons no quartel da SARIP? O Berto em cuecas a sair do quarto enquanto o Fabio Tiago chorava em frente a eles, com uma imagem de Jesus na mão, já a calendarizarem o baptismo Mormon para o rapaz.

Ainda aqui, tenho o livro que eles deixaram em nossa casa. Secalhar deviamos ter feito como a pandilha, que foram um cortejo da latada a ler aquilo às pessoas na rua e depois o mandaram pelo Mondego abaixo.


Eu só queria dizer uma coisa:
"NINGUEM PARA O BENFICA, NINGUEM PARA O BENFICA, OLÉ OU..."
As origens da efeminação moderna
“Pedro era, de facto, o tipo da beleza masculina, como o compreendiam os antigos. O gosto moderno tem-se modificado, ao que parece, exigindo nos seus tipos de adopção o que quer que seja franzino e delicado, que não foi por certo o característico dos mais perfeitos homens de outras eras.”
Júlio Dinis, As Pupilas do Senhor Reitor (1866)

Parece que em 1866 já Júlio Dinis se queixava do apanascamento progressivo da beleza masculina, o que me leva a pensar:
- o processo é muito mais antigo do que poderíamos supôr;
- o que diria Júlio Dinis se estivesse entre nós e visse o Esquadrão G, o Beckham e o Cláudio Ramos?…

Efemérides
- Assinalaram-se ontem os 60 anos do início do julgamento dos líderes nazis, em Nuremberga, os 30 anos da morte de Franco, antigo ditador espanhol, e o primeiro ano de Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia.
As memórias históricas são sempre passíveis de gerar controvérsia. Seja como for, trata-se de lutar contra o esquecimento…

Rituais de passagem
Já ninguém sabe dizer quando passa um adolescente à idade adulta. Antigamente, o casamento e o início de uma nova família coincidiam com a saída de casa dos pais e com a independência completa. (Mesmo que o novo casal continuasse a necessitar da ajuda de pais e sogros; as dificuldades económicas estragam os quadros mais bonitos.) Hoje, com o recuo do casamento como instituição, as dificuldades acrescidas de emprego para jovens, a escolaridade que se prolonga, os muito mais elevados padrões de vida socialmente aceites, os jovens adultos prolongam a estadia em casa dos pais e adoptam estilos de vida novos e indefinidos. Como saber onde acaba a adolescência e começa a idade adulta?
Primeiros indícios de puberdade; conduzir motociclos de 50cc; fumar; beber; namorar; ter relações sexuais; estudar noutra cidade (se for o caso); votar, ou não se recensear; ir à tropa (?); conduzir automóveis ligeiros; primeiro emprego; manter uma esfera de privacidade em relação aos pais; trabalhar noutra cidade, ou noutro país; casar; sair de casa dos pais… (Todos estes rituais exteriores escondem a verdadeira transformação, que é interna.)
Em todo o caso, acho que não interessa muito estabelecer um momento preciso para a transição. Talvez precisem disso aqueles que não se sabem governar por si próprios (porque muitos passam pela idade adulta e chegam à velhice sem se saberem verdadeiramente governar.) Vivemos numa sociedade livre, o que implica sermos responsáveis pelas escolhas que fazemos. É verdade que nem todos têm as mesmas oportunidades (especialmente em termos económicos), mas há hoje mais opções sobre o estilo de vida que queremos. Haverá talvez excesso de estímulos, excesso de informação, desorientação – é o preço de se viver numa sociedade aberta, livre e globalizada. A maior parte de nós prefere ter mais opções do que menos, mesmo que seja mais difícil escolher…

quinta-feira, novembro 17, 2005

De certo modo, o texto do Reinold espelha a fase que todos atravessamos. Ser um recem-licenciado, a iniciar uma vida adulta é sempre complicado. Para mim, este momento está dar-me muitas lições valiosas para o futuro. E julgo, que o mesmo está a acontecer com todos os outros. Todos nós, de modos diferentes, estamos a aprender com esta nova experiência. O Berto com a sua nova vida politica, mais responsavel que aquando a sua experiência na AAC, agora faz politica para cidadãos e não para estudantes. O Reinold, veio dos EUA, onde tinha tudo que queria em termos de diversão e liberdade, chega a Portugal, a vida parece-lhe diferente daquilo que tinha quando partiu de cá há um ano. O Ismael, vai aprendendo lições sobre viver de novo a tempo inteiro com a sua mãe e de como trabalhar com pessoas que não sabem o significado de progressão na carreira. O Danish, está numa tremenda indecisão entre ficar por cá ou partir em busca de um mundo melhor, perdeu alguém, Portugal faz-lhe menos sentido que antes. Quanto a mim, tenho aprendido muitas lições, a vida é feita de surpresas inesperadas, por muito monotona que a nossa vida seja, nunca podemos saber quando uma revolução na vida nos bate á porta. "O que não nos mata, fortalece-nos" e abre-nos os olhos para o que é verdadeiramente importante para cada um de nós. Cada momento é único em si, mas não podemos deixar de pensar nos momentos em que acreditavamos em algo e afinal revelaram-se pura mentira e falsidade. Odiar não é a solução, seguir em frente e concentrar no que realmente importa, isso sim é o que de melhor podemos fazer. Os valores que temos e os sentimentos que sentimos, podem parecer confusos e distorcidos nesta fase. Podemos pensar, que tudo que acreditavamos já não faz sentido, que a vida nunca será como era. Mas hoje, tenho algo para vos dizer a todos. Por muitas voltas que a vida dê a cada um de vós, por muitas coisas más e pessoas que vos aconteçam, por muito inseguros ou desesperados que se sintam, uma coisa podem ter a certeza. Nunca nada poderá nos tirar os anos que vivemos em Coimbra, os bons momentos que partilhamos tudo o que vivemos. E nesta vida só se podem contar com dois sentimentos verdadeiros e puros: Amor de Pais e Amizade. Estes são os únicos sentimentos que perduram verdadeiros por uma vida toda, tudo o resto é temporario e nefasto. Para além dos bons amigos que tenho aqui na Marinha Grande, a SARIP terá sempre um lugar especial no meu coração. Cada um segue o seu proprio caminho neste momento, mas voçês serão sempre meus amigos. Sempre que precisarem de alguem que vos ajude, eu estarei pronto... e não se esquecem disto, somos todos semi-deuses, basta querermos, não deixem que ninguem nem nada vos deite nunca abaixo. Vamos à luta pessoal!!!
ONCE A SARIPIAN, ALWAYS A SARIPIAN.

terça-feira, novembro 15, 2005

Para o leitor será certamente interessante saber o que é que este grupo de individuos que se intitulam de saripianos está a fazer neste momento, numa altura em que já nem se podem considerar recém licenciados (para aqueles que já acabaram o curso). Mais do que entrar em pormenores, podemos reparar que o Danish e o Daniel atingiram já um Status importante na sua curta vida profissional, muito embora o Danish esteja numa situação contratual um pouco mais complicada. Esta posição de relevo permitiu já a estes 2 membros da Sarip, estabelecer importantes contactos, no caso do Daniel com o Ministério da Cultura da Estónia, e no caso do Danish, importantes connections tanto com o Brasil como com a Holanda. O Ismael, dono de uma inteligência superior à maioria dos seus concidadãos, tem já um futuro assegurado na Rússia ou noutras paragens no leste europeu, dado o seu grande envolvimento na integração das comunidades "lestianas" na zona da alta estremadura.

No meu caso, continuo a pensar como é que nestes proximos anos vou conseguir viajar pelo mundo inteiro...

De qualquer modo, dos 3 casos acima mencionados, podemos facilmente compreender a importância que o Curso de Relações Internacionais teve no nosso trajecto pós-académico e irá com certeza continuar a fazer parte à medida que vamos consolidando a nossa posição, como jovens aventureiros e ambiciosos.

Quanto aos membros dos Açores esperamos com ansiedade que estes 2 membros terminem o seu percurso académico para que se possam juntar a nós neste excitante mundo em que as baldas já não são permitidas.

No Tribunal da Nazaré...
Neder... Nederland, isso faz parte da Inglaterra, das ilhas britânicas, não?????????

Onde está o Wally
Tal como a Sofia (sim, aquela que de vez em quando(!!!) lhe dão uns vipes não compreendidos por nós) se interroga por onde anda o Dr. Rogério Leitão, também eu tenho curiosidade em saber o que é outras individualidades andam a fazer nesta altura.
O Ivan, todos sabemos anda pelo país fora a manter o Dr. Mário Soares acordado na sua campanha pelas feiras do país, promovendo ao mesmo tempo o iogurte líquido que o tornou tão célebre nas aulas de TRI. Verdade é, que é uma figura respeitada na política nacional. Mais talvez que o Dr. Pureza, o qual foi visto a discursar, mas cujas palavras apenas ecoavam num background, completamente abafado pela voz dos jornalistas ou do próprio Francisco Louça.
Mas indo ao que interessa, outra figura que causou impacto durante a nossa vida académica, mas que depressa foi esquecido já que conseguimos fazer a cadeira através de exame final, foi Alfredo Marques, professor da cadeira de Economia da União Europeia. A maioria das pessoas concordará comigo se eu disser que as aulas eram verdadeiras palestras (com um nivel de interacção professor/aluno nulo), mas a verdade é que este professor catedrático é também o Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (vulgo CCDRC), tendo dado uma entrevista ao Jornal Região de Cister, entrevista editada no jornal desta semana. Ao que parece a região do Oeste, ao qual metade dos membros da Sarip pertencem, vai passar a integrar o CCDRC. Diz Alfredo Marques que esta situação será benéfica para a região centro já que são zonas económicas muito dinâmicas. Diz ele que a região oeste terá maior acesso aos fundos estruturais que permitirão a criação de maior riqueza para a nossa região. É verdade que as perspectivas podem até ser boas, mas se este senhor for tão activo neste cargo como nas aulas que lecciona... tamos feitos.

sexta-feira, novembro 11, 2005

Queda de pontes
Um viaduto de uma auto-estrada ainda em construção cai, com estrondo, e mata 6 operários, ferindo outros. Documentos respeitantes à obra foram encontrados… no lixo. Negligência estúpida e grosseira.É caso para dizer: só mesmo neste país!

Não, não. Aconteceu na avançada e evoluída Espanha… de Portugal só mesmo as vítimas…

Armas Químicas no Iraque I
Um bom ditador deve utilizar armas químicas de modo a ter mão sobre as minorias. Para Saddam, os massacres aos curdos fazem todo o sentido.
Armas Químicas no Iraque II
Para derrubar uma ditadura e reprimir revoltas não se utilizam armas químicas. Tão simples como isso.

Beijos no pátio da escola
Parece que uma escola no Norte quer proibir os alunos, ou as alunas, de demonstrarem afecto no recinto escolar…
Dei o meu primeiro beijo e iniciei o meu namoro num recinto escolar, por isso os leitores devem calcular qual a minha opinião sobre o assunto…

Weah
Apesar dos esforços deste blog, que até colocou no índice o site de campanha do Melhor Jogador de 1995, Weah perdeu a segunda volta das eleições presidenciais da Libéria contra a economista Ellen Sirleaf.Visto que Weah tinha ficado em primeiro lugar na primeira volta, tratou-se provavelmente de uma praga rogada por Jorge Costa…

11 de Novembro: 3 efemérides
1918 – Assinatura do armistício que pôs fim à Primeira Guerra Mundial, a única guerra do século XX que Portugal (para todos os efeitos ) venceu.
1975 - Independência de Angola, após uma guerra que Portugal (por mais que queiram o contrário) perdeu.
2003 – “Ô Luís, dá cá o chave, ê ê ê, não dou, ó Zé…”

Abu Salem extraditado
Quem teve aulas de Asilo e Refugiados (tanto trabalho…) recorda-se certamente do caso do cidadão indiano acusado de terrorismo no seu país, preso em Portugal e que havia entregue um pedido de asilo, bem como da esposa na mesma situação.O caso acaba de ter um final. Abu Salem e a esposa vão mesmo ser extraditados para a Índia…

“Palavras”
“Se bastasse a inspiração e a força das palavras – além da forma de dizê-las – para ganhar uma eleição, Manuel Alegre seria decerto o próximo presidente da República. É, aliás, um terreno onde, reconhecidamente, não tem competidores à altura nesta batalha – nem mesmo Soares, que perdeu o fulgor e a capacidade de empolgamento de outros tempos. Mas anteontem, no discurso de apresentação da sua candidatura, Alegre esteve no seu melhor e provocou um sobressalto. É a surpresa que poderá fazer a diferença e ser a novidade mais estimulante da campanha presidencial.Alegre conjugou utopia e realismo, sopro poético e pedagogia cívica, defesa de valores e pragmatismo político. Falou de pátria e orgulho nacional sem que isso soasse a velharias imprestáveis ou ridículas e deu-lhes um sentido moderno e cosmopolita. Recusou uma condenação simplista e retrógrada da globalização. Evitou deixar-se enredar, com uma habilidade inesperada, na guerrilha entre Soares e Cavaco. E ousou ser mais concreto do que os seus concorrentes, ao sugerir um pacto económico e social que ajude o País a sair da actual crise.Os cínicos dirão que tudo isto são apenas palavras, não mais do que palavras, mero devaneios líricos irrealizáveis. O facto é que, perante o minimalismo iluminado de Cavaco e o passadismo fatigado de Soares e o partidarismo estrito de Jerónimo ou Louçã, Alegre justificou porque está na corrida, desalinhou a esquerda e lançou uma pedrada no charco das presidenciais. As palavras são uma arma frágil nos dias que correm e o seu poder mágico tende a diluir-se na voragem mediática. Também é fácil – e porventura justo – colar em Alegre a etiqueta de eterno e inconsequente diletante político. Mas sem as palavras de Alegre, a vitória anunciada de Cavaco não seria mais que o fim previsível de um espectáculo velho e gasto. Há ainda quixotismos que valem a pena.”
V. J. Silva, DN (06/11/2005)

terça-feira, novembro 08, 2005

Pátria!
“A palavra caiu em desuso porque tivemos uma ditadura que usou e abusou dela, mas eu gosto da palavra pátria, e não tenho vergonha de ser patriota”
Manuel Alegre

Os franceses revoltam-se… well, duh!
Tem havido, já há uma porrada de tempo (bom trocadilho, hã? “Porrada”), tumultos, motins, sublevações, revoltas, sedições, altercações, fights, enfim, merdas nos subúrbios, primeiro de Paris, e depois de outras cidades francesas. Diz-se que é um problema de imigrantes. Até ver, discordo desta premissa. Primeiro, porque se trata de cidadãos franceses, nascidos em França. Segundo, porque desde há séculos que os franceses têm um gosto especial por revoltas e guerrilhas urbanas. Vejamos a História:
- século XVI: massacre de S. Bartolomeu, quando milhares de protestantes foram mortos, de 23 para 24 de Agosto de 1572, só em Paris.
- século XVIII: começando com a Tomada da Bastilha, continuando com as mudanças de governo e de regime, as revoltas posteriores que levaram ao corte de cabelo do rei Luís XVI e da rainha Maria Antonieta, e mais umas quantas revoltas e mais uns cortes de cabelo até ao golpe do cônsul Bonaparte que restabeleceu a ordem.
- século XIX. 1815: levantamento popular a favor do regressado Bonaparte e contra o rei Luís XVIII. 1830: revolução de Julho, deposição da monarquia absoluta. 1848: revolução começada na França (que se estende por toda a Europa), derruba a monarquia liberal e instaura a República. 1870: Paris é durante 3 meses governada pela Comuna, experiência revolucionária marxista fracassada.
- século XX. 1968: Em Maio, uma revolta dos estudantes e da juventude em geral, iniciada em Paris, é o símbolo da mudança de mentalidades e inicia um processo que levará à destituição do Presidente De Gaulle.
- século XXI. 2005: revoltas em Paris e noutras cidades…
É assim tão estranho, ou uma novidade tão grande? Os franceses gostam de uma boa revolta…
Poderá dar-se o caso de os incêndios de carros se estenderem a outros países europeus. Mas mesmo essa situação já tem o precedente de 1848…

Notícias da Fórmula 1 – Monteiro!
O Nuno enviou-me um sms com a novidade em primeira mão, mais ou menos esperada dada a anterior ligação entre Tiago Monteiro e a Midland: a assinatura do piloto português para o lugar vago na nova equipa, para 2006. A SARIP vai ter assim um duelo interessante de seguir entre os dois colegas de equipa da Midland: o português Monteiro e o holandês Albers, cuja contratação me surpreendeu (embora reconheça que ele fez uma temporada bem razoável na Minardi) e que vem dar razão ao Reinold: mesmo na Minardi, os pilotos têm que dar o seu máximo…Para o Danish é que é pior, já que o patrício Karthikeyan ficará, em princípio, a pé. No entanto, tal reflecte as diferenças de performance entre ambos ao longo de 2005 com carros iguais, e portanto é justo… venha 2006 e a luta luso-holandesa!

segunda-feira, novembro 07, 2005

É sempre bom recordar, especialmente boas memórias... O timing não podia ser mais oportuno!
"S. Martinho" 2005
Não, a SARIP não regressou a S. Martinho do Porto; a SARIP Continental simplesmente juntou-se no passado fim de semana (estamos próximos do dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho) e andou a curtir pela Alta Estremadura. Nunca se sabe que alterações ao status quo socioprofissional podem surgir de repente, nestes tempos de globalização (eu próprio experimentei isso) e portanto há que aproveitar o momento enquanto dura.
É possível traçar um quadro vago e geral de comparação entre a vida de estudante e a vida imediatamente após; mas, tentar aprofundar a questão, torna-se complicado. O imediato pós-Coimbra é muito diverso e experiência de cada um é única. Sobre o que há consenso é no valor da vida de estudante – e no que a gente se divertia. (Mesmo que comecem a surgir divergências sobre datas precisas. É a lei do esquecimento. Só um registo escrito poderá pôr cobro a isso.)
"Seems like I have a lot of things to ponder", diz Zoolander. Todos as temos, de uma forma ou de outra, precisamente porque a vida não é um filme e há sempre um horizonte adiante, pelo menos enquanto se está na casa dos vinte. Decisões a tomar, sentimentos profundos sobre a forma como se vê o mundo e o que se quer retirar da vida, e seguir em frente. (Ou não tomar decisão nenhuma, e deixar que o destino decida por nós, também é uma opção possível…) Ninguém disse que viver era uma coisa simples.
A chegada a Coimbra oferece um horizonte de estabilidade tão longínquo ("ih pá, falta tanto até acabarmos o curso…") que se torna reconfortante, e talvez isso ajude à magia que a cidade oferece. Alguns viciam-se tanto nessa sensação que persistem por Coimbra, e duram, e duram…
Os que não duram vão tendo que fazer escolhas e opções. É duro; mas é melhor que não ter opções nenhumas, e acho que na História foram muitos os casos em que as pessoas simplesmente não tinham por onde optar… é a chatice de viver em liberdade: implica sermos responsáveis pelo que decidimos.
(Reinold, vou ser muito sincero, pá; desde que saí de Coimbra que perdi a vontade de ir a discotecas. Não sei bem porquê. Seja Snoo, seja o que for, só mesmo de longe em longe…)

Desta vez vou cortar a já habitual parte dos agradecimentos. São tantos e tão variados que se tornaria maçador, e as pessoas em causa têm plena noção da minha gratidão.

quinta-feira, novembro 03, 2005

3 de Novembro de 1887
118º aniversário - Parabéns, AAC!


Notícias de África
MOÇAMBIQUE - Se há um co-blogger que devia falar na visita oficial do presidente de Moz a Portugal e no acordo que se espera finalmente definitivo sobre a barragem de Cahora Bassa, cuja energia passa pelas centrais na África do Sul antes de ir para Maputo, não sou eu. Limito-me a referir que o nosso Secretário de Estado da Cooperação, que gostava muito de Moçambique e fez lá várias viagens, deve ter aproveitado p reforçar os seus contactos e espalhar o charme da camisa rosa.

GUINÉ-BISSAU - A deposição e reposição de governos é muito mais rápida na Guiné que em Portugal. Em 5 dias está nomeado um novo primeiro-ministro, com um curioso decreto presidencial com dois artigos:
1 - Nomeio Aristides Gomes como primeiro-ministro.
2 - Este decreto entra imediatamente em vigor.
Mainada!
(agora o resto do governo vai-se procurando com calma... tim cálmá...)

quarta-feira, novembro 02, 2005

Terramoto
Passaram ontem 250 anos sobre o super-terramoto que devastou Portugal, particularmente Lisboa, acompanhado de tsunami, e que ficou na memória histórica do povo.
Feito o habitual debate sobre sismos, julgo que estamos no bom caminho. Lisboa iria toda abaixo se houvesse outro sismo como o de 1755.
E isso que é preciso. Em primeiro lugar, para deitar abaixo os prédios velhos. Depois, porque morriam os velhotes todos que lá vivem – o que era um alívio para o sistema nacional de pensões. Sem prédios e sem inquilinos, os proprietários dos terrenos poderiam vender ou construir de raiz. Uma nova cidade, ordenada e alinhada, tal como a Baixa pombalina desenhada a esquadro surgiu após 1755.
E construir uma cidade de raiz é o sonho de todos os empreiteiros e construtores! E também o sonho de todos os que idealizaram a Expo, os Estádios do Euro, a Ota e o TGV! Reconstruir Lisboa??? Imaginem o relançamento que não daria à nossa economia!
Venha o terramoto, rapidamente! E quanto mais forte, melhor!

Quadra popular de motivo bíblico
Já dizia o Rei Herodes,
“Ou te calas ou te fodes!”
O Rei Herodes já morreu,
Quem te fode sou eu!
Carlyle Group – ambiente de trabalho informal e descontraído
- As peças que estavam aqui, alguém as viu? Qu’é delas?
- Cadelas? Cadelas é aí em baixo…

- Eu sou alérgica ao trabalho. Ganho borbulhas no cu.
- Não sei se é no cu, ou não será mais à frente?
- Tenham lá algum respeito, que estão homens a ouvir…

- Ó Marlene, a nossa linha agora está muito chique! Temos aqui um diplomata…

- 22 anos? Não pode ser. Amanhã trazes o BI…

- Ó Gina, essa conversa é pr’a engatar o Ismael? Uma mulher de 40 anos a dizer que tem 33, só pode ser pr’ ó engate!…

Running – a força dos genes
O sr. António Paulino deslocou-se às tasquinhas de S. Simão, em Alcobaça, com uma série de familiares, e bebeu três canecas de água-pé, da forte. À saída, a pretexto de avisar os familiares que ficavam, resolveu dar uma ligeira corrida a pé, de não mais que 200 metros.
Perguntam os leitores ligados a Coimbra: “onde é que eu já vi este filme?”
(A minha irmã Isabel não gosta muito de sair do seu ambiente caseiro. Mas já não estranha o meu colo.)

Z3!
No passado fim de semana tive o meu baptismo de fogo em termos de motociclos. Aos leitores que têm a “mota que marcou a adolescência”, este post parecerá risível; aos que nunca andaram de mota, será um bom incentivo para experimentarem.
A minha experiência anterior de motociclos resumia-se a um velocípede a motor, com 25 cc. Agora, dei o salto lógico e experimentei pela primeira vez uma moto, cortesia do meu primo Fábio Mendes, 17 anos, que me deixou dar uma volta na sua, como ele diz ironicamente, Z3 – Famel Zundapp de 3 velocidades, 50 cc!
A sensação de liberdade que uma mota oferece é realmente um vício. Após a primeira adaptação aos controlos (acelerador, embraiagem e mudanças, já que o travão é igual ao de uma… bicicleta), apetece acelerar a fundo, sentir a deslocação do ar, e ir, e ir, e ir… claro que a potência de uma Z3 é mínima, mas até o Valentino Rossi passou por todas as categorias, não é? Fiz por 4 ou 5 vezes uma pequenina recta de 400 m mas já chega para deixar um conselho a quem nunca experimentou andar de mota: a vida é para se viver, e quanto mais coisas tivermos experimentado, melhor…

Israel-Irão
O presidente Ahmad…Ahmadi… ahm… enfim, aquele senhor esgrouviado e de barba de 3 dias que é o presidente do Irão afirmou que Israel deveria ser riscado do mapa.
Isto fez-me lembrar a hipótese de uma bomba nuclear a cair em Telavive. E apercebi-me de uma coisa muito simples: Israel nunca poderá ser alvo de um ataque nuclear porque tem um escudo anti-míssil (um sistema SDI, para os jogadores de Civilization 2) muito eficaz.
Como é que se pode atirar mísseis nucleares sobre Israel sem se matar milhões de palestinianos?…

Evangelho mais ou menos apócrifo
“Viviam José e Maria num lugarejo chamado Nazaré, terra de pouco e de poucos, na região de Galileia, em uma casa igual a quase todas. (…)
O barro ao barro, o pó ao pó, a terra à terra, nada começa que não tenha que acabar, tudo o que começa nasce do que acabou. Turbou-se Maria e perguntou, Isso que quer dizer, e o mendigo respondeu apenas, Mulher, tens um filho na barriga, e esse é o único destino dos homens, começar e acabar, acabar e começar, Como soubeste que estou grávida, Ainda a barriga não cresceu e já os filhos brilham nos olhos das mães, Se assim é, deveria meu marido ter visto nos meus olhos o filho que em mim gerou, Acaso não olha ele para ti quando o olhas tu, E tu quem és, para não teres precisado de ouvi-lo da minha boca, Sou um anjo, mas não o digas a ninguém. (…)
…perceberá que as coisas afinal não são assim tão simples quanto pareciam, claro está que seria muito bonito poder anunciar, Veni, vidi, vici, proclamou-o assim Júlio César no tempo da sua glória e depois foi o que se viu, às mãos do seu próprio filho veio a morrer, sem mais desculpa este que ser apenas adoptivo. Vem de longe e promete não ter fim a guerra entre pais e filhos, a herança das culpas, a rejeição do sangue, o sacrifício da inocência.”
José Saramago, O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991)

O pior é que muitos preferem o chicote à escola!
“Neste país o povo não pode andar ao som do chicote. As coisas têm de começar na escola. E foi isso que [o Marquês de] Pombal não entendeu.”
José Hermano Saraiva

Presidenciais em Portugal
Agora que Cavaco se apresentou, faltam três candidatos para a lista ficar completa:
- um candidato que seja contra o regime, já que, segundo o célebre Vasco Pulido Valente, os cinco candidatos existentes defendem a Constituição, recusam o presidencialismo, e são, em graus diferentes, a favor da Europa e das estruturas actuais de governação. Ora, caro Vasco, isto deixa-nos duas hipóteses para termos um candidato contra o regime: a hipótese Alberto João Jardim e a sua própria. Como o Rei da Madeira já engoliu o sapo e diz que apoia o sr. Silva, resta-nos esperar que Sua Eminência parda venha tirar Portugal da escuridão, e que o cidadão Pulido Valente se apresente como candidato…
- um candidato da direita. Isto é, da direita Santana Lopes-Paulo Portas. Vi o Santana na tv este fim-de-semana e disse assim para a minha mãe, em surdina e muito assustado: “I’m gonna tell you a secret. I see dead people! Politically dead people!” Como Portas não é parvo, esperamos que a recolha de assinaturas para Lopes já tenha começado.
- Manuel João Vieira.

Já agora, gostaria de lançar um debate sobre Língua Portuguesa: deveríamos definir a expresão "político profissional", porque pelos vistos não se sabe bem o que quer dizer.

terça-feira, novembro 01, 2005

"Eis o que o Espírito humano só dificilmente compreende. Ele foi engenhoso para pintar os tormentos do inferno, mas jamais pôde representar as alegrias do céu. E isso por quê? Porque, sendo inferior, só tem experimentado penas e misérias, e não pode entrever as claridades celestes. Ele não pode falar daquilo que não conhece. Mas, à medida que se eleva e se purifica, o seu horizonte se alarga e ele compreende o bem que está à sua frente, como compreendeu o mal que deixa para trás."

segunda-feira, outubro 31, 2005

Licenciados para quê?
É de todos sabido, que um dos factores que mais concorre para o aumento da produtividade de uma empresa e de um país, é o nível de formação e qualificação profissional de todos aqueles que, directamente ou indirectamente, participam no processo produtivo. O ‘case study’ irlandês, do qual todos gostam de falar, mais não foi que uma aposta muito forte na reforma da política fiscal e na reestruturação de todo o sistema de ensino, tendente a uma maior qualificação dos seus cidadãos e por esta via, conseguir acréscimos de produtividade muito importantes.Se observarmos as estatísticas do ensino em Portugal ao longo dos últimos trinta anos, verificamos que existiu uma evolução muito positiva em matéria das competências académicas mas, não obstante, ainda nos encontramos longe de atingir patamares que certamente estarão ao nosso alcance. Verifica-se ainda que o abandono escolar é muito precoce; que muitos dos nossos jovens não concluem o ensino secundário e daqueles que entram nas universidades, muitos são os que também não concluem. Com estes registos, poderá ficar comprometido o desenvolvimento do país a prazo. Tudo o que acabei de dizer, pode não andar muito longe e até ter alguma ligação com uma constatação que ultimamente os mais atentos e sensibilizados para o mercado de trabalho de jovens licenciados, têm verificado. Todos os anos as universidades formam uns milhares de jovens recém-licenciados, que muito naturalmente procuram o seu primeiro emprego. Pelo lado da oferta, este ciclo é conhecido. E então o que se passa? Uma grande parte das empresas, especialmente na área dos serviços, procura recém-licenciados para cujas posições não são exigidas competências que não ultrapassem aquelas adquiridas ao longo do ensino secundário. Esta postura enferma por dois erros estratégicos clamorosos. Em primeiro lugar, as empresas sabem que a motivação é factor determinante no bom desempenho de um colaborador; então que motivação poderá ter um jovem recém-licenciado quando tem a consciência de que está a exercer uma função muito aquém das suas competências? O que acontece? O colaborador vai andar desmotivado, a sua produtividade é menor comparada com outro menos habilitado academicamente e à primeira oportunidade sai da empresa. Em segundo lugar, a preocupação das empresas deve centrar-se na captação de jovens recém-licenciados com elevado potencial e motivá-los com desafios ao nível da sua formação, de molde a poderem precaver o futuro da empresa com novos talentos, que sejam portadores de inovação, de novas ideias e sobretudo de novas metodologias que ajudem a empresa a sobreviver no futuro.Tudo o que acabo de referir, é facilmente comprovado por qualquer empresa especialista no recrutamento e selecção de pessoal. As empresas, fruto da muita procura, oferecem posições não consonantes com as legitimas expectativas dos jovens recém-licenciados e alguns, a prazo, vão aceitando.É bom que os empregadores reflictam sobre esta matéria. Pois apesar de uma das componentes da produtividade assentar na qualificação profissional, a sua curva (da produtividade) será tanto marginalmente de inclinação negativa, quanto maior for a insistência neste posicionamento face à oferta.Perante este conjunto de circunstâncias é normal e faz todo o sentido que um jovem recém-licenciado, coloque a questão do porquê de ter concluído uma licenciatura?Seria um outro erro ainda maior, se os ofertantes no mercado de trabalho fizessem tábua rasa da inteligência dos jovens. É que os nossos recém-licenciados, sabem para onde querem ir, o que querem para o seu projecto profissional e como lá chegar. Pode demorar mais tempo por inépcia ou falha estratégica dos empregadores, mas eles irão lá chegar. Quem subestimar a sua inteligência, corre o sério risco de se atrasar e quiçá, desaparecer no tempo que marca toda a dinâmica da vida empresarial. Os jovens recém-licenciados só querem que os respeitem.
http://www.diarioeconomico.com/edicion/diario_economico/opinion/columnistas/antonio_gaspar/pt/desarrollo/578969.html
Passem por la que vale a pena ler tmb os comentários!!

terça-feira, outubro 25, 2005

1º dia no Grupo Carlyle – a importância de um curso superior
- A Natália é de que país?
- Da Rússia.
(…)
- Cá em Portugal há é muitos ucranianos, da Rússia há menos…
(…)
- Mas eu venho da Sibêria.
- Sibéria?? Pensei que fosse da Europa… bolas, vem de longe… e de que zona da Sibéria? Yakutsk, Kamchatka?
- Sim, sim, Kamchatka. A mais longe!
- Bem!!! Atravessou meio mundo para vir para aqui…
(…)
- Como ê que sabes tanto de Geográfia? Pôrtuguieses não côstumam saber tanto sobre Rússia…
- Eu tirei o curso de Relações Internacionais… sei um pouco de tudo sobre muitos países…

A liberdade
“No fundo, a liberdade é uma coisa simples, seja qual for a sua forma exterior. É a fé comum no homem, a boa vontade comum, a tolerância e a caridade comuns, a decência comum, nada mais, nada menos. Traduzido para termos políticos, é a doutrina segundo a qual o cidadão normal de um Estado civilizado é na verdade normal – que a decência que pertence naturalmente ao homo sapiens, como um animal acima das feras, está realmente nele. Considera que este cidadão normal pode ser confiável, um dia atrás do outro, para fazer o bem. Confia nos seus impulsos naturais, e presume que são saudáveis. Por fim, é a doutrina de que se essas presunções são falsas então não pode fazer-se nada – e se os seres humanos são realmente tão maus, então nenhum é suficientemente bom para policiar o resto.”
H. L. Mencken, editorial publicado em American Mercury, 1929, citado por Oswald le Winter, Democracia e Secretismo, 2002

segunda-feira, outubro 24, 2005

Aviso aos bloggers
Este blog devia ter mais cuidado com o tipo de pessoas que deixa que escrevam.

Reparem no post do Ismael sobre a Latada 2005, por exemplo. É óbvio que só podia ter sido escrito por alguém que estivesse de ressaca. Muito sintético, deixando escapar montes de pormenores. E muito superficial: o que quer dizer, por exemplo, “grande jantar?” Quer dizer que se comeu bem? Que se bebeu muito? Que se pagou mais ainda? Que o Danish “regressou” à cantina do ISCA, com a sua omolete? Que se falou de coisas tão diversas como as expectativas do raio do curso que se tirou, dos filmes de boxe dos anos 80, da nobreza de apelidos portugueses como Lencastre, Telles e Avillez por oposição aos apelidos do povinho, tipo Sousa, Costa, Nunes, Silva ou Paulino, ou ainda da situação contratual de Jacques Villeneuve em 2004? “Grande jantar” não explica rigorosamente nada.
Tal como “um grande passeio à luz das estrelas…” Mas o que é isto?!!?? Influências do ultra-romantismo (Português, 12º ano)? Em que consiste? Demorou muito tempo? Teve, ou não, paragens pelo meio? Seria objectivo do grupo ir directamente do restaurante (aliás, nem disse que restaurante foi) para o Latódromo? Além de superficial, é extraordinariamente omisso. Não refere os encontros com pessoas conhecidas, por exemplo o João Matos e o Nuno “Gordo” da SAPE, num café e ligeiramente embriagados, a levantar suspeitas sobre as arbitragens ao longo dos últimos torneios de futsal da FEUC e sobre as sucessivas vitórias das equipas do Portela, Tsubasa Team ou outras, e não refere que ambos enviaram cumprimentos para o Berto. Esquece-se que a ideia original era parar no karaoke do Guitarras, mas que as escadas de S. Tiago estavam completamente cheias de gente e nem sequer tentámos entrar. Olvida a primeira “visita” do Tiago ao prédio medieval de três micro-andares, relativamente bem preservado, ali na esquina do Guitarras. E quanto às dezenas de pessoas incomodadas nos seus pensamentos com as frases “Vota Alegre! Abaixo os partidos!”, incluindo dois agentes da autoridade?
Além disso, é um texto impregnado de uma melancolia estranha, como se o autor estivesse a pensar na vida mas não soubesse bem o quê. As referências bíblicas não lhe são nada habituais: “os céus que se abrem”, como se fosse um dilúvio, e Cristo sobre as águas. Era como se o céu lhe tivesse caído em cima só por reconhecer que tinha de se ir embora mais cedo contra vontade, mas de qualquer forma quem mandou trazer sapatilhas? A meteorologia não prometia chuva já há uma série de dias? Pois que trouxesse sapatilhas extra, ou então botas, mesmo que não fossem Timberland!
Por outro lado, os agradecimentos e saudações especiais são do mais vago que pode haver. Omite-se o reencontro com pessoas ligeiramente embriagadas, como a Liliana ou o Gilberto (em estranha descompensação psicológica); omitem-se as cervejas pagas pelo Pedro, primo da Ana, ao Reinold e ao próprio autor (uma boleia paga regiamente, e um excelente aperitivo antes do jantar); o generoso gasto do económico Danish num só dia não é sequer imaginado; esquece-se o facto de o Reinold ter falado com algumas pessoas mais nesta única noite do que desde sempre; a serenidade e alegria estóica da Andreia C face à vida não transparece; a dormida no 8º andar da Wilma e a t-shirt (não reclamada ainda) da Andreia não estão lá…
Este absurdo texto, que mais parece uma seca nota de rodapé, esquece ainda o que o Pedro aprendeu sobre a colonização timorense dos salões de jogos de Coimbra, os encontros com os srs. Francisco Guterres e Lino, o encontro imediato de terceiro grau com o sr. Cigano, da Marinha Grande, e ainda o espírito aventureiro do Daniel e do Tiago, dormindo na carrinha em que vieram, como se estivessem em viagem pela Europa.
Conhecendo a tendência do blogger Ismael para a ocasional pirosice, semelhante aliás à do blogger Sousa naquele post “uma estória para sempre recordar” (ninguém sabe se fugiu, foi suspenso ou está em licença sabática), só admira que não tenha acrescentado a este post uma quadra deste género (neste caso de autoria do poeta leiriense Afonso Lopes Vieira):

Vou-me embora com tristeza
Com tristeza sempre vou:
Que ninguém tem a certeza
De voltar ao que deixou.

Em suma, recomendo aos Administradores que passem a seleccionar cuidadosamente os indivíduos que escrevem para aqui, sob pena de aparecerem mais barbaridades como esse post “Latada 2005.” Ou, pelo menos, que uns se acrescentem/corrijam aos outros, pois tenho a certeza que este Ismael não é o dono do blog. Aliás, parafraseando o Manuel Alegre, “Não há donos do blog! Não há donos da democracia!”

sábado, outubro 22, 2005

A UTOPIA!

"As eleições presidenciais são uma disputa entre candidatos, mas dizem respeito a todos os portugueses e organizações. A opção do PS é a de apoiar Mário Soares, porque é a personalidade política que tem as melhores condições e qualidades para ser o próximo Presidente da República". José Socrates in Público
O grande grupo Carlyle
Na próxima segunda-feira, pelas 9 da manhã, inicio uma colaboração profissional com a filial portuguesa da Key Plastics, que por sua vez faz parte do conhecido Carlyle Management Group.
O processo de recrutamento e selecção foi extraordinariamente rápido, não tendo demorado mais de duas horas entre o primeiro telefonema e a aprovação, que chegou poucos minutos antes de chegar o Reinold, que me daria boleia para a

Latada 2005
Um grande jantar. Um grande passeio à luz das estrelas, pela milenária Baixa de Coimbra. Uma hora de aperto para entrar no recinto, com muitas bocas de apoio ao coimbrão Alegre e muitas injúrias a Salazar. Reencontros de amigos e conhecidos. Os Orishas no seu auge. A tenda, sempre a bombar no máximo. E, às 5 da manhã, uma monumental tromba de água, como se os céus tivessem permitido que todos entrassem e se divertissem à vontade mas não deixassem ninguém regressar seco a casa.
Erro de cálculo, optimismo excessivo? Ao contrário de Cristo no lago Tiberíades, não consegui caminhar sobre as águas e mergulhei até aos tornozelos. Por isso, sem calçado sobresselente, fui obrigado a regressar a Leiria mais cedo que o previsto (sob pena de ficar a arder em febre, se insistisse em andar mais 24 horas com os pés molhados.)
Um dia muito especial para mim, como se de alguma forma Coimbra me trouxesse um pouco de sorte. E uma grande noite para todos.
Os meus (já habituais) agradecimentos e saudações especiais para as seguintes pessoas:
- Álvaro José
- Ana Rita Jacinto
- Andreia Ferreira
- Andreia Marques
- Daniel Sousa
- Danish Latif
- Gilberto Coelho
- Liliana Abreu
- Patrícia Lopes
- Pedro Rodrigues
- Reinold Vrielink
- Tiago Nunes
- Wilma Vrielink
- Finally, and overall, à Ana.

sexta-feira, outubro 21, 2005

Mais Actualidades
- O PS pretende discutir uma nova lei de arrendamento. Vou ser sincero: percebo muito pouco das minudências técnicas deste tema, que é cíclico. Falar do Orçamento de Estado todos podemos falar: há um X de receitas e um X de despesas, e cada um terá as suas opiniões sobre em que sectores cortar ou investir (despesas), e quais os impostos que deveriam ser aumentados ou reduzidos (receitas.) O mercado de arrendamento é mais difícil.
Por outro lado, a tendência é fácil de ver. O arrendamento não compensa. É tão caro arrendar como comprar, o que empurra as pessoas para a compra – o que empurra os senhores empreiteiros a construir cada vez mais, e mais longe do centro das cidades. Não é difícil adivinhar a dinâmica que surge daí: bairros periféricos monstruosos, e centros a cair (há dias alguns jovens leirienses ficaram feridos quando um “bocado” do Centro Histórico lhes caiu em cima) e desertos, seja em Lisboa, seja onde for. Com as consequentes dificuldades em termos de transportes, públicos e privados, etc. As opções tomadas têm sempre consequências a longo prazo, e convém que os legisladores pensem no longo prazo.
(Na minha rua, os habitantes já estão tão habituados a conviver com o perigo constante de um acidente, que já nem dão por isso. Mas se eu votei contra o anterior Presidente de Junta foi por ele ter permitido que esta fosse uma rua de dois sentidos.)

- O ano de 2005 (tsunami incluído) tem sido invulgarmente fértil em desastres naturais afectando milhões de pessoas. Estará a sociedade internacional preparada para lidar com tudo o que acontece?
A gripe das aves parece que pode vir a criar alarmismo. É estranho não ter aparecido uma vacina há mais tempo; mas a verdade é que todas as precauções têm sido tomadas, e, diria eu, antes precauções a mais que a menos.
Quanto à epidemia de pânico, deveríamos pôr os olhos na História. Não só na Gripe Espanhola, de 1918, que fez 50 milhões de mortos, mas também podíamos recuar à Peste Negra que atingiu a Europa em 1348 e que matou entre um terço a metade da população europeia. Isso sim, mete medo…

- os Franz Ferdinand lançam um segundo disco numa altura em que eu arranjei o primeiro. As críticas dizem: “ritmo e acordes fortes, sabor a dejá-vu, o futuro do rock’n roll.” Diz-se que o Rock está em crise, senão morto, e talvez esta banda seja de facto uma espécie de fantasma ressuscitado. Em todo o caso, vem cheio de vida e recomenda-se – pelo menos a todos aqueles que vibraram com os primeiros discos de Offspring ou Greenday (e também para aqueles a quem o hip-hop dominante não interessa muito.)

- Recentemente falei com um amigo meu, grande adepto de música, nomeadamente rock, que nunca tinha ouvido falar nos Franz Ferdinand. Esse amigo tem um emprego e trabalha todos os dias. Dei comigo a pensar: será que deixarmos de acompanhar as novidades da música é um sintoma de que entrámos na idade adulta? Que a rotina diária nos corta o espaço para esse tipo de lazer? E, portanto, que nos condena a ficarmos musicalmente presos à nossa adolescência e juventude?…

Eleições presidenciais
- O futebolista Weah e a economista Ellen Sirleaf vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais na Libéria.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Passados 2 anos eles estão de volta...

Amanhã por volta desta hora a SARIP está de volta. Quem julgou que por momentos esta sociedade tinha acabado ou já tinha tido outros tempos, bem que se enganou. Tal como a Fénix, que renasce das cinzas, assim também é a SARIP, que renasce do abandono momentâneo. Como uma banda que se separou, seguiu projectos diferentes e agora se junta de novo, também a SARIP o fez. Amanhã, ficará marcado como a noite do regresso a Coimbra. Para mim, será como se tivessem passado dois anos, para outros outras sensações serão... Uma coisa é certa eu quero apanhar uma buba como deve de ser, daquelas que já não apanho à muitos anos.
Pena não estarem todos os membros, incluindo os originais (as raparigas), sim porque apesar de tudo elas são membros originais, mesmo que nunca lhes tenhamos dado legitimidade.
Em falar nisso, queria aproveitar para desejar os parabens à Angela, podes contar comigo em Dezembro, em Vila Cova Coeilheira para estar presente neste momento tão especial, espero é que não me convides para padrinho do miudo que eu já tenho afilhados que cheguem...
Temas da Actualidade
Hoje apetece-me falar daquilo que mais nos preocupa de momento.
Poderia falar da gripe das aves que vem da Ásia sobre a Europa, do risco de epidemia pandémica e do crescente alarmismo que se vai instalando.
Podia falar na gripe dos subsarianos e marroquinos que vem da África sobre a Europa, do risco de epidemia pandémica e do crescente alarmismo que se vai instalando. (A verdade é que é muito mais fácil conter os pretos que os pássaros. Ainda bem que os pretos não têm asas.)
Podia falar no Orçamento de Estado e na progressiva fragilização política de todos os que protestam. (Estudantes incluídos; a opinião pública achou normal e justificada a intervenção da bófia na reitoria de Coimbra, há um ano atrás.)
Podia falar no que se está a fazer p conter os fogos do próximo ano, e no facto de terem desaparecido o clima de combate à seca só por terem chovido uns aguaceiros.
Até podia falar do Peseiro e do Dias da Cunha... mas quero falar é dos assuntos que verdadeiramente interessam aos madeirenses e aos europeus (portugueses incluídos.)

Cristiano Ronaldo é acusado de violação. É cedo p avaliarmos o caso, e embora eu não queira desculpar as pessoas, a verdade é que já houve tantos e tantos casos infundados de gajas que inventam histórias do género para vender aos jornais que não acredito muito. Acima de tudo, espero que o homem não vá preso porque seria um grave prejuízo para o próximo Mundial...
O Mundial da Alemanha, esse sim um tópico que interessa a todos nós!!!