Compreender os americanos
Numa altura em que muitos portugueses opinam sobre a reeleição de Bush e chamam de burros aos americanos por o terem reeleito, quero também aproveitar para dar a minha opinião e manifestar, não um apoio a Bush ou à forma como tem conduzido a política externa norte-americana, mas mostrar a minha compreensão para com a população norte-americana. Para isso, justifico a minha opinião com aquilo que acontece actualmente na Holanda.
A Holanda, como um país multicultural, com um povo que sempre se orgulhou com o seu espírito tolerante, vê-se neste momento confrontada com a emancipação de movimentos islâmicos radicais dentro do seu território, que já garantiram a realização de ataques bombistas no território, situação que culminou este fim de semana com a morte de Theo van Gogh, um jovem que foi assassinado indiscriminadamente por um grupo de muçulmanos, para além de vária igrejas terem também já sido vandalizadas e incendiadas. O funeral teve lugar esta tarde, em Amesterdão, onde estiveram presentes 50 mil pessoas.
É óbvio que neste momento o cidadão holandês sente-se ameaçado, não apenas por haver uma cada vez maior presença da comunidade muçulmana ( com as consequências sociais, económicas e políticas daí decorrentes) mas pior, pelo desrespeito dos muçulmanos para com um Estado e um povo que sempre os acolheu de braços abertos e lhes dá todo um conjunto de regalias impensáveis no resto do mundo, inclusivamente no mundo ocidental. A comunidade muçulmanda pensa que pode fazer o que lhe apetece. A nova geração já considera a Holanda como o seu país e que como tal têm poder para fazer tudo. Isto seria uma situação até aceitável se não incluisse o desrespeito e a violência para com o povo holandês. É esta portanto a situação; o cidadão holandês já não se sente seguro no seu próprio país.
Por isso, ninguém pode criticar ou reprovar a atitude de qualquer indivíduo holandês contra um indivíduo muçulmano. Com que direito podem os muçulmanos ameaçar com ataques bombistas um país que não lhes pertence? Com que direito podem justificar uma luta contra o ocidente, se eles próprios, e neste caso os muçulmanos na Holanda, se consideram como fazendo parte do país?!
Por isso, compreendo a escolha dos norte-americanos. A segurança interna é um factor cada vez mais importante para um cidadão. Depois, para quem teve a cadeira de Análise de Políticas Externas e teve minimamente atento, sabe que o cidadão norte-americano não quer saber da política externa e se preocupa muito mais com a sua segurança. Assim, parece que Bush tem(?) mais capacidade para garantir essa segurança.
Talvez, e como acontece neste momento na Holanda, a questão de fundo seja reforçar a identidade nacional, e hoje, mais do que nunca, é importante a união, perante algo que não tem direito nenhum para ameaçar com uma base religiosa radical. É um erro contar o Ocidente com o Cristianismo.
Para finalizar, tendo em conta que o português se orgulha tanto da sua identidade nacional, faz-me uma certa confusão que chamem de burros aos americanos.
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