terça-feira, setembro 21, 2004

Notícias da Fórmula 1!
GP ITÁLIA
Para ser honesto, esta corrida, que foi de longe a melhor do ano, merecia um post mais desenvolvido. Infelizmente, quando não se é profissional e se depende da inspiração ou da “veia”, as coisas nem sempre saem como queremos. As pessoas poderão dizer que uma dobradinha da Ferrari nunca pode ser considerada como emocionante, mas a verdade é que, durante a maior parte da corrida, nem Barrichello pareceu o mais forte candidato á vitória, nem Schumacher era candidato ao pódio, quanto mais ao segundo lugar.
A largada deu-se com pista molhada e a secar rapidamente. O heptacampeão fez um pião na segunda chicane, caindo para o 15º lugar, e o mundo celebrou, pois a vitória estava fora de questão. Quando Alonso começou a ganhar mais de 1s por volta a Barrichello, à medida que a pista secava, parecia que a Ferrari podia ser derrotada.
Há muito tempo que não víamos os 4 primeiros todos à vista uns dos outros e separados por meia dúzia de segundos, sem sabermos bem quem poderia ganhar. Podia ser o Alonso, candidato à vitória desde o início; podia ser o Button – a BAR-Honda continua perto da sua primeira vitória
e muita gente continua sem compreender que Jenson é um estudante aplicado de História da Fórmula Um e é por isso que prefere a Williams à BAR, embora a lógica ditasse o inverso
Podia ser o Montoya
Que falta lhe faz o Ralf Schumacher ao lado para o inspirar. Para o ano, com o Kimi no outro carro, podemos esperar um Montoya inspiradíssimo
E podia, claro, ser o Barrichello. A verdade é que esta foi uma vitória à Michael Schumacher e Ross Brawn; foi a estratégia de boxe que deu a vantagem decisiva ao brasileiro. Quando parou a segunda vez e o oráculo mostrava que só levava gasolina para metade das voltas que faltavam, não percebi muito bem. Mas depois tornou-se óbvio – Rubens ganhou tempo em pista, estando mais leve, suficiente para sair à frente dos adversários que só pararam duas vezes.
Entretanto, Alonso borrou a pintura com um pequeno despiste na segunda chicane – e depois teve o imenso azar de as rodas traseiras ficarem atoladas na areia…

Michael Schumacher fez, talvez não a melhor, mas uma das melhores corridas da sua carreira. Melhor que qualquer uma das vitórias deste ano. Há quem diga que o despiste na primeira volta foi de propósito; e, quem sabe? Quem sabe se o hepta não fez de propósito para se divertir um pouco no meio do pelotão, coisa que não faz há imenso tempo, agora que já tem o título no bolso, e oferecendo a Rubens, não só a vitória, mas uma vitória justa e limpa? É bem possível.
(Em 2002, Barrichello venceu os GP da Hungria e de Itália – mas quem olhar para as tabelas de tempos vê que Schumacher, em ambas as corridas, abrandou o seu ritmo natural para não ter de ultrapassar o brasileiro, coisa que desta vez não podia fazer)
E a verdade é que eu próprio, que estava a acompanhar as estratégias de boxe dos primeiros, não percebi o que aconteceu. Sensivelmente a meio da corrida, Schumi tinha 29s de atraso para o primeiro. Passado meia dúzia de voltas, estava logo atrás de Barrichello… e eu juraria a pés juntos que não era possível Schumacher chegar ao pódio! Aliás, se fosse outro que não o Rubens a estar no primeiro lugar, o alemão provavelmente teria vencido a corrida…
O próximo GP será interessante, quanto mais não seja porque é a estreia do circuito de Shangai (em português Xangai), China. Eu já conduzi nesse circuito
F1 2004, Playstation 2
E digo-vos que vale a pena, tem um excelente traçado.

JACQUES VILLENEUVE DE VOLTA!
Achei estranho que tão poucas pessoas me tivessem dado os parabéns pelo regresso de Jacques Villeneuve à Fórmula 1. Talvez tenham achado que, como o Campeão do Mundo vai conduzir pela Sauber, não tinham motivos para tal…
Sejamos francos. Não esperava que Villeneuve regressasse. É certo que não tinha abandonado oficialmente, mas pensei que a desmotivação vencera. Afinal, e para provar o contrário ao mundo, o canadiano aceita um novo desafio.
É óbvio que preferia ver Jacques na Williams ou na Renault (talvez não fosse por acaso que estes foram rumores insistentes sobre o seu regresso, dado ter sido campeão pela… Williams-Renault) do que na Sauber, que não é propriamente uma equipa com grande margem de progressão. Em todo o caso, o que interessa é aquilo que o Campeão do Mundo poderá fazer com o material que tem. Villeneuve não fez só boas épocas com o melhor carro. Em 1998 e 2000, dados os resultados que alcançou e o carro de que dispunha, só mesmo Schumacher e Hakkinen faziam melhor. É isso que todos esperamos. De qualquer forma, e se com Villeneuve regressar a garra e a vontade de pilotar e de ultrapassar – pena já ninguém se lembrar da ultrapassagem a Schumacher, na longa curva Parabólica do Estoril, por fora, a mais de 250 km/h – o plantel ficará mais enriquecido. Certamente que Villeneuve, quase da idade de Schumacher, não será o futuro da Fórmula 1 como o são Montoya, Alonso e, principamente, Raikkonen, mas ainda está a tempo de encantar os adeptos – e provar que o seu Título Mundial não foi obra do acaso.

Nota: é naturamente com a maior curiosidade que se avaliará o desempenho do canadiano no Renault deixado vago por Trulli para as últimas três corridas.

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