segunda-feira, junho 21, 2004

Notícias da Fórmula 1!

Histórico - Minardi pontua!
A equipa italiana não pontuava, salvo erro, desde 2002. Giancarlo Minardi havia dito, uma vez, que o sistema de pontuação precisava de ser alterado para as equipas pequenas aparecerem. Um ano e meio após a extensão dos pontos ao 8º lugar, a Minardi conseguiu. Ainda por cima através do lentíssimo Baumgartner, 2 voltas atrás do 7º. Penso também que foi a primeira vez que um húngaro pontuou nos GPs. Se eu fosse húngaro pegava na minha bandeira e ia festejar. Parabéns à equipa mini.
Dia inglório para Gianmaria Bruni, que certamente teria pontuado se não se envolvesse no acidente da primeira curva.
O acidente de Ralf foi de facto impressionante. O alemão teve bastante azar - é a zona mais rápida da pista, e o muro está muito próximo...ironicamente, talvez tivesse sido melhor bater de frente - se o carro raspasse e amortecesse o embate. Felizmente que nada de grave terá acontecido.
Quanto ao resto, nada de especial. Schumacher passou Barrichello ANTES da linha da meta, quando o safety Car saiu a primeira vez, o que é proibido - mas nós vimos que o nome do alemão apareceu primeiro no oráculo; finalmente o motor Honda do Sato chegou ao fim, um bom pódio para ele, a fazer o Button pensar 2 vezes; a McLaren é aquela equipa que fica logo à frente da Minardi - com o Kimi sempre à frente do Coulthard.
Mas o GP dos Estados Unidos, sem dúvida, pertenceu à Minardi.

Os posts da semana
Terça-feira, 10:58. a mística do dr. Salazar até contagiou os estrangeiros. O turista inglês viveu em Albufeira, quando era miúdo; recentemente, voltou ao Algarve – e descobriu que aquilo já não é português. Para comer feijoada e bacalhau à Brás, teve de vir ao Alentejo. “If Salazar was still here, he woudl keep Algarve for you.” E gosta tanto de Portugal que vai comprar casa cá e instalar-se definitvamente.
Se não gosta de Inglaterra, e gosta de Salazar – sou levado a crer que o senhor não gosta de democracia. Talvez eu esteja a exagerar. De resto, as opiniões políticas não podem estorvar o profissionalismo. Mas que não esperava ouvir elogios ao Salazar em inglês, isso não!
Sexta-feira, 10:50. Futebol-espectáculo “concentrado”, como os sumos. Em 2 minutos, a França tinha transformado uma derrota numa vitória. Ontem, em Leiria, os bleus experimentaram um pouco do seu próprio remédio: num curto espaço de tempo, a Croácia acordou da soneca e transformuo um entediante domínio (sem alegria) dos campeões da Europa num jogo emocionante. Depois, voltou a dormir, cometeu um erro – mas conseguiu empatar.
Dois minutos de magia podem mudar a história de um jogo. Assim ,”temos campeonato.”
Segunda-feira, 01:15. Estou a ver o Carlos do Carmo, na RTP. Minto; estou à espera da Fórmula 1, na RTP.
Juntei-me à festa. Leiria explodiu. Dir-se-ia que ganhámos o Campeonato. Tudo na rua, tudo a gritar, buzinar, acelerar e apitar. Bandeiras, cachecóis, mota, moto4, descapotáveis, jipes, tractores agrícolas. AS festa. Reprimida, depois da derrota com a Grécia.
A verdade é que os 50 países europeus gostariam de estar nos quartos-de-final. Mas só 8 lá chegam. Portugal é um desses 8 de elite. É de festejar! E é já o 3º Europeu consecutivo em que nos qualificamos para os quartos! Começamos a ser candidatos crónicos! Em 96 perdemos logo nos quatros, em 2000 perdemos nas meias… em 2004 seremos os finalistas derrotados!
Bem, o povo acreditou e agora festeja. Festejemos quanto podemos. Se no futebol só festejassem os vencedores absolutos, dos 16 países só 1 festejava. O futebol não ganhava lugar nos corações, se fosse assim…aqueles jogadores cujo país é independente há 10 anos, que jogam quase todos no seu desconhecido campeonato, e chegam a uma fase final abanando a Rep. Checa e empatando com a Alemanha – eles são vencedores. Nós, recuperando de um mau começo, e não cedendo à pressão como insinuou esse palhaço desse treinador sem vergonha, também somos vencedores. Viva Portugal.
Estou tão entusiasmado com estes festejos, dos quais fiz parte, que a partir de agora, de cada vez que Portugal for vencedor ou se distinguir internacionalmente, face a outros países, venho para a rua festejar. Como diz a minha amiga Filipa: “Quando Saramago ganhou o Nobel, ninguém festejou.” Assim, fico à espera de acontecimento como estes:
- Portugal ser campeão do mundo ou da europa de hóquei em patins.
- “ “ “ “ “ “ “ “ noutro desporto colectivo.
- O Álvaro Parente ganhar uma corrida da Fórmula 3 britânica;
- O César Campaniço ganhar uma corrida da Fórmula Renault;
- Um português ganhar um Nobel;
- O enormíssimo António Damásio ganhar (mais) um prémio;
- Medalhas nos Jogos Olímpicos, ou nos Paralímpicos, ou no atletismo;
- O Manoel de Oliveira vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes;
- Etc.,
Pego na bandeira, no cachecol e no carro e venho para a rua buzinar e festejar. Se o fizer sozinho, paciência. Se a polícia me mandar parar, explico-lhes o que se passa – estamos numa democracia e se há excepções para o futebol, também há para o resto. O que interessa não é o futebol, é Portugal. Viva Portugal! (Se o Porto ganhar outra vez a Liga dos Campeões, pego na bandeira de Portugal e junto-me a eles.)
Hoje, 14:07. Caído das nuvens, não acompanhei a polémica que parece ter-se desenvolvido esta semana neste blog. Não posso participar porque, para maior glória do serviço público de internet da Câmara Municipal de Leiria, não tenho acesso aos 10 comentários do post de meio da semana. Assim, só posso dizer o que penso.
Falta espírito de cidadania aos portugueses. Foi por isso que a ditadura durou tanto tempo, e é daí que vêm as dificuldades da democracia. Porque as leis podem dizer que se respeita a liberdade de expressão, de associação, etc., e que a trabalho igual salário igual, mas as leis não podem obrigar as pessoas a lutar pelos seus princípios e pelos seus interesses (quando estas duas categorias não forem incompatíveis). Se isto já era grave, cada vez é mais, porque o dinheiro assume-se em definitivo como o valor dominante nas sociedades ocidentais e são as democracias - TODAS, não só a nossa - que perdem.
O que senti ontem à noite foi um resto disso: espírito de cidadania. O povo português ainda tem orgulho no que é e ainda se consegue reunir para festejar. Mesmo que seja levado pela euforia do momento e por a comunicação social só falar em Euro,Euro,Euro, e não vermos mais nada à nossa frente, por estes dias - mas ainda há um restinho de capacidade de mobilização por causas. Isto significa que ainda há esperança. Fico contente, por isso, com estes festejos.
O povo português também se conseguiu reunir por uma causa, como vimos quando Timor sofria, naqueles dias malditos de Setembro de 1999. Simplesmente o povo português não se consegue reunir para discutir os seus problemas. É pena que só se reúna para festejar...
Por isso, já disse e digo outra vez, se um português for campeão internacional de badminton, eu vou para a rua festejar. Já que não há mais nada para festejar sem ser isto...
Quanto ao aprofundamento da democracia, os partidos existentes são partidos de rotina, e já dizia o Tocqueville há mais de 150 anos que as democracias funcionam assim. Não esperemos nada deles. Têm que ser as pessoas a actuar. Mainada!

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