Uma opinião sobre os partidos no 25 de Abril - e no actual Sistema
"Os partidos são um mal inerente aos governos livres, mas nem sempre possuíram, em todas as épocas, o mesmo carácter e os mesmos instintos. (...) Seja como for, existem épocas em que as transformações que se operam na Constituição política e no estado social dos povos são tão lentas e tão imperceptíveis que os homens pensam ter alcançado um estado final; então, o espírito humano julga estar firmemente assente sobre certas bases e não lança o olhar para além de um certo horizonte.
É o tempo das intrigas e dos pequenos partidos.
Aqueles a que chamo grandes partidos políticos são os que se ligam mais aos princípios que às suas consequências, às generalidades e não aos casos particulares, às ideias e não aos homens. Estes partidos têm, geralmente, traços mais nobres (...) convicções mais genuínas e um comportamento mais franco e audacioso que os outros. O interesse particular (...) esconde-se aqui mais habilmente sob a aparência do interesse público; por vezes, chega mesmo a ocultar-se dos olhares daqueles que anima e faz agir.
Ao invés, os pequenos partidos não têm geralmente qualquer fé política. Como não se sentem elevados nem sustidos por grandes desígnios, o seu carácter está marcado por um egoísmo que se repercute ostensivamente em cada um dos seus actos. Fazem uma tempestade num copo de água; a sua linguagem é violenta, mas a sua caminhada é tímida e incerta. Os meios que utilizam são miseráveis, tal como o próprio objectivo a que se propõem. Consequentemente, quando um tempo calmo sucede a uma revolução (...) os grandes homens parecem desaparecer subitamente e as almas fecham-se em si próprias."
Alexis de Tocqueville, "Da Democracia na América", publicado pela primeira vez em 1835
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